Michale Graves: Revivendo o Passado

Michale Graves, ex-Misfits, vem ao Brasil para uma extensa turnê celebrar sua fase em que participou dos álbuns American Psycho e Famous Monsters tocando os mesmos na íntegra! Conversei com o carismático músico sobre os álbuns e as sensações de poder ter feito parte de uma das fases mais importantes do Misfits. Confira!

por Marcos Franke

A formação do Misfits que tinha você, X Ward Chud, Doyle e Jerry The Only foi bem mais pesada que a versão original com Glen Danzig nos vocais. Você ainda lembra por que o Misfits acabou ficando diferente quando você se juntou a banda?

Olá! Glen Danzig escreveu quase todas as músicas quando ele formou o Misfits lá nos anos 70. Quando eu me tornei parte da banda com Jerry The Only, Doyle e X Ward Chud, a banda não era somente quatro indivíduos diferentes, mas tínhamos estilos, músicas e influências bem diferentes. No final pode-se dizer que o resultado foi BEM diferente do que a música do passado.

Eu amo o álbum American Psycho! É também o primeiro álbum que possui você como vocalista. Eu conheci o Misfits ouvindo este álbum antes de ouvir o Misfits com o Glen Danzig. Esta situação acontece muito, sabendo que a informação era bem mais devagar naqueles tempos?

Não necessariamente por que especialmente quando álbuns envelhecem pessoas ainda descobrem a música ali no éter. O Misfits do Graves é muito mais prevalente e mais dispersa pela internet que a versão com Glen Danzig e as chances são muito maiores que você descubra a canção Dig Up Her Bones do que Horror Business que é uma de minhas canções favoritas de TODOS os tempos!

Na minha humilde opinião Famous Monsters é um clássico immortal e ter a oportunidade de ouvir este álbum ao vivo é algo bem inesperado. Como foi ensaiar estas músicas para você?

É muito louco, sendo bem sincero. Ontem pela primeira vez eu toquei as músicas exatamente como estão no álbum.  Há músicas que NUNCA toquei com ninguém que Jerry The Only, Doyle e X Ward Chud. O jeito que eu canto e toco as músicas é um grande desafio que é muito inspirador. Eu mudei muito como artista e músico e voltar atrás para o meu corpo e mente da época em que isto tudo aconteceu traz muita coisa de volta. Está me clareando muito mais o passado, presente e futuro! Eu me sinto incrível!

Você tem alguma história relacionada a este álbum quando vocês estavam compondo ele?

Eu era um garoto de 20 anos escrevendo sobre a minha vida e me comunicando através de grandes ilusões de um Mundo artístico e imagens de uma época bem tumultuada. Há muitas delas que poderia te contar sobre cada música e como elas passam pelo grande canal dos tempos de ontem e hoje.

Você também prefere o álbum Famous Monsters do que American Psycho? Qual marcou você mais? Você esperou que algum dia eles alcançariam o nível de eternos clássicos?

Eu nunca pensei que eles alcançariam qualquer coisa. Eu sempre esperei que as pessoas pudessem relacionar ás músicas e elas o fizeram! Eu era bem crítico no passado, crítico demais em minha própria mente para realmente OUVIR e poder curtir estes álbuns. Eu realmente estou curtindo eles de um jeito que eu nunca curti antes e isto está me fazendo muito bem.

Você recentemente se envolveu em muitos projetos e um dos mais recentes foi com os suecos do Zombiesuckers. Como foi a experiência?

Eu amo trabalhar com pessoas criativas, inspiradas e que trabalham duro!

Política é algo muito importante na cena punk, Wikipedia diz que você é apoiador do Liberalismo desde 2013. Você confirma esta informação?

Sim! Eu sou registrado nos Estados Unidos….. aqui em Nova Iorque eu sou Independente. Mas eu sou uma pessoa que apoia a Liberdade de expressão e a mente independente. Eu quero a paz e o amor para todo o Mundo.

Você está vindo ao Brasil em tempos difíceis. Até o Dead Kennedys ficou com medo de tocar aqui após a internet dar uma resposta misturada sobre um poster de um artista brasileiro mostrando a atual situação de nossa política usando uma música da banda como inspiração. Qual a sua opinião sobre estes tempos que estamos passando na política?

São tempos difíceis certamente. Há muita divisão e tumulto em todo lugar. Nós temos que nos amar agora mais do que nunca. É sempre importante focar nos problemas que nos dividem para que nós possamos achar resoluções… assim chegando em soluções e conclusões. Quando nos juntamos, mesmo possuindo diferentes pontos de vista, criamos uma energia enorme que possui o poder de cura e isto não é encontrado em nenhum outro lugar. A música é o solo em comum onde podemos nos expressar abertamente, até comunicar e argumentar. Eu acho que grandes líderes precisam continuar criando sistemas e ambientes educativos onde isto pode acontecer.

Misfits nunca foi uma banda de se envolver em política como o Dead Kennedys, certo? Isto nunca te incomodou já que os temas foram sempre sobre terror?

Não, por que eu nunca quis convencer alguém a fazer algo através da música. Eu sinto coisas sobre certos assuntos e eu tenho um ponto de vista Mundial que eu consigo expressar pela minha música – então as coisas já estão lá. Sempre estiveram. Eu só não faço disto um ponto em que faço da política o foco de minha música… ambas as fases, antes e agora. Minha esperança e objetivo é unir as pessoas. Quero que elas se sintam bem e se sintam inspiradas e encorajadas pela minha música – o que eu faço, o que digo e represento.

Quais são os seus planos para o futuro?

Eu estou planejando meu novo álbum para Julho deste ano e devo lançar ele ainda em Setembro. Sempre fique de olho no meu site www.michalegraves.com para mais informações!

Michale Graves - Ev7 Live.jpg
Michale Graves - Full Tour.jpg
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