Leprous: Apresentou-se em São Paulo uma das maiores bandas de prog metal do Mundo

Aqueles que compareceram ao show dos noruegueses, num Domingo chuvoso, testemunhou um dos melhores representantes do prog metal do Mundo.

Por: Marcos Franke

Fotos: Edi Fortini

A impressionante apresentação dos noruegueses demonstrou que personalidade é chave na construção de melodias impactantes. Foi isto que pudemos conferir com todas as músicas que preencheram o repertório do quinteto. Formada por Einar Solberg (vocal, teclados), Tor Oddmund Suhrke (guitarra), Robin Ognedal (guitarra), Baard Koltad (bateria) e Simen Daniel Borven (baixo), a Leprous existe desde 2001 e foi apadrinhada por ninguém mais, ninguém menos que Ihsahn, guitarrista da famosa banda de black metal Emperor.

O mérito no entanto é todo deles. A grande variação sonora pode ser testemunhada ao vivo, sem frescura. As linhas complicadíssimas do baixista Simen ou as intrínsecas trocas de harmonia entre guitarras e harmonias de teclados são verdadeiros desafios para o que curte ouvir todos os instrumentos numa música. Músicas como The Valley, são o grande exemplo da grande variedade de acordes a quais os nossos ouvidos são acometidos. Dramaticamente pode ser descrito que somos atacados por todos os lados por melodias e sons.

O que dizer dos vocais a la Björk do excelente e diferente vocal Einar Solberg – um dos vocais que mais personalidade hoje neste mercado tão competitivo da música. A performance do vocal é outro show por si só. Séria e muito concentrada, percebe-se que ele respira o que faz. Não há contato muito profundo com os fãs, mas sim uma grande dedicação em fazer o som sair perfeitamente limpo e bem feito – o contato com os olhos azuis do músico permanece e a grande personalidade do frontman surge em momentos de explosão de emoções junto com os outros músicos da banda. Que diferente forma de fazer contato com os fãs. Pude perceber isto claramente em The Flood, em que a explosão músical do refrão, onde não havia escapatória para espectador que não fosse se deixar levar pela fantástica energia da banda.

Mas pontos altos a banda teve praticamente o show inteiro. A melodiosa voz de Einar, combinada com a absurda competência minimalista dos guitarristas Tor e Robin fizeram com que músicas complicadas como Golden Prayers, The Price e Third Law parecessem absurdamente fáceis. Não posso deixar de destacar o baterista Baard Koltad que não perde nem um pouco para os grandes bateristas do gênero. A variação de ritmo, juntamente com o baixista Simen eram um verdeiro tributo ao jazz na grande parte do show. Que absurda habilidade estes músicos tem com seus instrumentos.

A banda atualmente divulga o seu mais recente álbum Malina (2017) pelo Mundo e também um cover para a música Angel do Massive Attack – uma das covers que Einar (vocalista e tecladista da banda) explicou ser um grande tributo á banda que o influenciou fortemente musicalmente. Ao vivo, percebemos ainda mais esta grande influência do Massive Attack na sonoridade do Leprous.

A Leprous fez um dos melhores shows do ano em São Paulo, sem sombra de dúvida e ficará em minha memória junto com o show do Haken que existe perfeccionismo – e é um absurdo poder testemunhar isto. Bravo a Overload por investir na qualidade de seus shows!

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