The Wizards: Rock N’ Roll com Músculos e Coração

A gravadora Abraxas Records lança o álbum Rise of the Serpent, da banda espanhola The Wizards e aproveitamos a deixa para entrevistar o carismático fundador e guitarrista Phil the Pain. Descobrimos que a vasta influência musical que a banda possui, interferiu e muito nas composições criando músicas que possuem todas as vertentes do rock n roll dos anos 60, 70 e 80, do punk ao heavy metal tradicional. Será que isto deu certo para os espanhóis? Leiam a entrevista a seguir e confiram um pouco do que se pode esperar desta banda!

Por: Marcos Franke

Conte um pouco sobre a formação da banda. Quando vocês decidiram formar uma banda de Heavy Metal?

Todos integrantes da banda foram escolhidos por mim em meados de 2013. Eu selecionei um monte de músicos talentosos que nem sabiam da existência um do outro. Chamei o baterista Dave O.Spare de uma banda de hardcore chamada Napalm, o baixista Baraka Boy da banda stoner Chivo e o vocalista Sir Ian Manson de uma banda stoner ‘Dommers Montaña’. Em novembro do mesmo ano a formação da banda se completava com o guitarrista George Dee, da banda punk rock ‘The Sulfators and Safety Pins’. Esta formação se mantém assim até hoje, com três álbuns de estúdio e muitos quilômetros de estrada. Algo bem incomum para uma família meio disfuncional que uma banda de rock n’ roll normalmente é.

A banda começou como uma banda nos palcos ou vocês se conheceram num estúdio, gravaram algumas músicas e depois decidiram em formar uma banda?

A banda surgiu para o palco, mas fazer mágica em estúdio. Em fevereiro de 2014 gravamos uma demo de 4 faixas e começamos a fazer shows na mesma semana. Não paramos desde então. Nos sentimos bem o palco e amamos o contato com o espectador e a energia que é criada com esta troca. O estúdio é algo mais introspectivo e mágico entre nós cinco. Mais tarde isto é traduzido para os palcos como um diferente tipo de cerimônia.

Estas perguntas são mais para entender o coração da banda, que claramente é influenciada por Iron Maiden e o tradicional duelo de guitarras dos anos 80. Esta influência foi intencional?

Sim, Iron Maiden é uma de nossas bandas prediletas. Amamos a Era dourada dos anos 80 e a turnê que eles fizeram para o álbum ‘Seventh Son of a Seventh Son’. Mas temos influências dos anos 60 e 70 também. Amamos música que possui músculos e coração – não é só heavy metal, amamos rock n’ roll em geral. Todos nós gostamos de punk rock também. A atitude e ética é muito importante para nós. Fizemos muito cover para bandas punk dos anos 70 e de hardcore dos anos 90 e amamos!

Amei a capa do álbum Rise of the Serpent. Como foi escolher o artista certo para este novo álbum?

Queríamos uma capa que fosse poderosa e épica e tínhamos algumas idéias. Escolhemos Rafa Garrés porque amamos seu trabalho e seu estilo combina muito bem com quilo que queremos transmitir. Ele é um excelente quadrinista também, tendo trabalhado em editoras como DC Comics, Marvel, Verotik e etc. Ele não faz capas de álbuns normalmente, mas fez algumas para bandas que ele realmente curtiu. Ele nos foi apresentado por amigos que temos em comum, integrantes da banda Cabeza de Caballo. Foi árduo trabalho, mas o resultado final é impressionante e representa muito bem o que o álbum novo representa e o futuro da banda.

Capa do álbum Rise the Serpent

Algumas músicas são fortemente influenciadas pelo heavy metal tradicional, mas outras tem um sentimento especial como ‘VOID’ e ‘Distorted Mirrors’. Os vocais são muito bem feitos. Quem teve a idéia para estas músicas e criou as linhas de vocais para estas músicas?

Música e letras para ‘VOID’ foram escritas por George Dee, nosso guitarrista. Eu escrevi a música e as letras para ‘Distorted Mirrors’. As melodias para os vocais foram meio que pensadas por nós, mas o crédito precisa ser dado ao nosso vocalista Sir Ian Mason, que pegou estas ideias e as transformou conforme sua personalidade e voz única. Normalmente a gente trabalha as linhas vocais em casa e depois as juntamos no estúdio. Sempre gravamos demos de nossos álbuns antes de entrar em estúdio e mandamos para o nosso produtor Dean Rispler. Ele ouve e manda dicas para mudar coisas para melhor. Dean não foi apenas um excelente produtor como também um professor de voz para o nosso vocalista – a voz no final foi quase um trabalho em equipe.

Acho que ‘VOID’ é o grande destaque do álbum novo. Como foi o processo de criação dela?

VOID é a última música que nós escrevemos, portanto, a mais nova quando entramos no estúdio. A gente encerrou alguns arranjos no estúdio. Ela foi composta por George Dee e conta sobre uma experiência de DMT e Ayahuasca que ele uma vez teve – foi a maneira que ele encontrou para descrever a verdadeira viagem que ele fez para um espaço psicodélico. Nós nem ensaiamos antes de gravar ela e se transformou em um dos destaques do álbum na minha opinião – que forma de encerrar o álbum!

Vocês viajam muito de um estilo para outro, como do hard rock para ‘Circle of Times’ para o totalmente sabático ‘VOID’, que possui muita influência do doom. Difícil escolher um estilo quando há tantas homenagens para fazer, não? Foi muito difícil, ao escrever as músicas, escolher a direção musical que você queria?

Nunca fizemos uma escolha de estilos em nenhum de nossos três álbuns. Queremos escrever o álbum que queremos, como o queremos – portanto nunca sentimos muita pressão. Todos os nossos álbuns são diferentes e não gostamos de nos repetir. Queremos evoluir e manter nossa essência mantendo as coisas interessantes para o ouvinte. É óbvio que o álbum novo possui uma vibração mais clássica para o heavy metal, mas foi espontâneo. Foram os nossos corpos e almas pedindo para serem exorcizados e o que saiu foram as músicas.

Como foi a produção para este álbum? Quem decidiu pela forma que o álbum foi produzido?

O produtor do álbum foi o nova iorquino Dean Rispler – o mesmo que produziu nosso segundo álbum Full Moon In Scorpio. Ele tocou baixo para a banda Murphy’s Law and The Voluptous Horror of Karen Black. Ele tem tocado baixo para a banda The Dictators nestes últimos anos. Ele também tocou nas bandas Kosmodemonic, Swilson e Osaka Popstar – ele produz muitas bandas. Ele também foi vice-presidente da Gravadora Go-Kart nos anos 90 e começou seu próprio selo Drug Front Records em 2000. Agora ele também está envolvido com a Gimme Radio – é um cara muito ocupado que nunca dorme. Ele sabe fazer nossas músicas brilharem e é um roqueiro com ouvidos privilegiados. Ele é uma peça fundamental para o nosso som no estúdio e se tornou um de nós. Ele faz parte de nossa família.

Por que escolher ‘Age of Man’ para promover o álbum?

Escolhemos ‘Age of Man’ como single por que ela possui uma vibração diferente das outras músicas do álbum. É exatamente o oposto do que você deve fazer ao escolher um single, mas queríamos ver a reação das pessoas e “trollar” elas um pouco. Queríamos que os fãs saíssem de sua zona de conforto e funcionou como queríamos. Claro, é uma música melódica e com uma pegada legal. Todos cantam o refrão quando tocamos ela ao vivo!

Quais são os planos para a banda a partir de agora? Planos feitos para uma turnê?

Nosso plano é tocar o máximo que pudermos para promover o álbum, especialmente Europa, mas também América e Ásia, claro. Amaríamos tocar no Brasil e estamos muito felizes por trabalhar com a Abraxas Records e OneRPM para o mercado Latino Americano e orgulhosos pelo trabalho que fazem por nós. Amamos bandas brasileiras como Ratos de Porão e Sepultura desde pequenos, mas sabemos que a cena é enorme e queremos muito explorar ela mais a fundo.

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