Psilocibina, Mars Red Sky e Earthless agitaram noite de psicodelia em São Paulo

Turnê conjunta de Earthless e Mars Red Sky se mostra uma cartada acertada da produtora de shows Abraxas ao trazer dois representantes incríveis da cena ao Brasil

Texto: Marcos Franke

Fotos: Drico Galdino

A gravadora e produtora de shows Abraxas não para de trazer grandes shows para São Paulo. A turnê conjunta dos franceses Mars Red Sky com os americanos do Earthless se demonstrou absurdamente certa. O local para a apresentação – a já consagrada casa de shows para bandas underground Fabrique Club, na Barra Funda em São Paulo. A grande surpresa ficou para a banda de abertura – a incrível Psilocibina. A Psilocibina tem um álbum auto-entitulado lançado pelo selo Abraxas Records e é formado por Rodrigo Toscano (baixo), Alex Sheeny (guitarra) e Lucas Loureiro (bateria) formando assim um dos power trios mais loucos que já ouvi na recente história da música brasileira. Com fortes influências do sludge, do stoner rock, psicodelismo e kraut rock alemão, o Psilocibina fez o público entrar num transe coletivo com músicas como ‘LSD’ e a absurda ‘Na Selva Densa’ – um grande exemplo que o rock brasileiro está mais vivo do que nunca. Sério, ouçam o álbum Psilocibina, é de cair o queixo.

A banda que tocou logo em seguida é a já conhecida pelo stoner rock Mars Red Sky. Os franceses chamaram a atenção dos fãs do estilo com o homônimo Mars Red Sky, lançado em 2011. Formado por Julien Pras (guitarra,vocais), Jimmy Kinast (baixo,vocais) e Mathieau Gazeau (bateria) o trio não só esbanjou simpatia, como demonstrou uma grande seleção de músicas como as incríveis ‘Way to Rome’ e ‘Strong Reflection’ – ambas do primeiro álbum Mars Red Sky. Impressionante como a banda consegue passar simplicidade e peso com riffs absurdamente bem elaborados. Isto pode ser muito bem ouvido com a excelente abertura do show com ‘Apex III’, do mais recente álbum Apex III (Pray for the Burning Sun) (2016) que possuía um baixo mais pesado que qualquer banda de black metal – sério, pesado demais! Enquanto isto Julien, o baixinho das seis cordas, simplesmente destruía a cada riff que saía de sua guitarra, sem contar que sua voz traz uma identidade especial ás músicas da banda. A fórmula psicodélica que a banda possui funciona muito bem junto ao stoner rock em qual a banda foca o seu som que muitas vezes lembrava um melancólico filme de terror ou um filme noir de detetives.

Com a despedida do Mars Red Sky era a vez da grande atração da noite – o Earthless. Formada por Isaiah Mitchell (guitarra,vocais), Mario Rubalcaba (bateria) e Mike Eginton (baixo), a banda teve um desfaque ao vir para a América do Sul. Mike Eginton se sentiu muito mal no México e a banda decidiu continuar o show sem o baixista. Quem assumiu a posição para a turnês dos americanos na América do Sul foi o baixista do Psilocibina, Rodrigo Toscano. A banda passa por uma fase incrível em sua carreira com um álbum novo, o incrível Black Heaven (2018), lançado pela gravadora alemã Nuclear Blast Records e aqui no Brasil pela Abraxas Records junto com a Voice Music e também o lançamento do álbum ao vivo From the West (sem previsão de lançamento no Brasil). Com a ausência do baixista Mike Eginton, o restante da banda teve que improvisar – e que improviso. Rodrigo Toscano se demonstrou um ótimo baixista acompanhando os devaneios do ótimo guitarrista Isaiah Mitchell – o cara é um alienígena! Com fortes influências do jazz clássico, Isaiah saía da melodia básica da música com uma facilidade que me deixava completamente hipnotizado. É claro que em alguns momentos o guitarrista voltava rapidamente para a melodia principal, preocupado com a cozinha desfalcada, mas muitas vezes o músico simplesmente se deixou levar, transmitindo uma naturalidade de riffs que deixava os fãs simplesmente de queixo caído. Era surpreendente ver rodas de mosh se formando ao som ‘Black Heaven’ – uma das faixas mais incríveis da noite. É claro que não pôde faltar a música de 20 minutos – a incrível Uluru Rock – a minha favorita da noite. Ficava cada vez mais evidente de que o Earthless de Isaiah Mitchell é extraterreno quando o assunto é riffs de guitarra. Esqueçam John Petrucci ou até Joe Satriani – Isaiah Mitchell está em outro patamar e a partir deste show é meu novo guru dos riffs. Não somente por causa de sua técnica, mas sim pela alma que ele coloca em cada momento da música. Incrível.

Mais uma vez a Abraxas faz um tiro certo ao divulgar o stoner rock no Brasil trazendo dois grandes representantes do estilo ao Brasil. Pelo jeito, não há limite para a produtora mais ousada do Brasil.

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