Abraxas Fest: Festival prova que veio para ficar!

Foto: Drico Galdino

Texto: Marcos Franke

Fotos: Drico Galdino

A Abraxas, que começou como uma pequena produtora de shows, hoje também é uma gravadora e se tornou uma das maiores apoiadoras da cena Underground do Brasil. Em seu 5º ano de existência fez um festão de aniversário e quem ganhou um presentão foram os que puderam comparecer no Abraxas Fest. Os fãs da verdadeira música que frequentaram o Fabrique na Barra Funda foram simplesmente levadas para outro Mundo. As bandas convidadas foram NOALA, ITD (Into the Dust), Samsara Blues Experiment e o Eyehategod – esta última uma banda estadunidense que estreou em palcos brasileiros após 30 anos de estrada.

A NOALA, que lançou seu mais novo álbum auto-intitulado pela Abraxas Records este ano foi a primeira banda a se apresentar. Formada por Felinto, Estevão, Alessandro, Caio e Pedro a banda explorou e muito seu novo trabalho. Com momentos intensos como em ‘Lava Agni’, NOALA teve uma apresentação intensa e absolutamente competente. As texturas das guitarras, combinadas com o grande impacto da cozinha baixo/bateria traz muita intensidade á música da banda. O vocal que é um canto gutural e que incorpora falas cantadas, faz da música do NOALA algo absolutamente diferente. Uma das grandes surpresas do festival.

A banda de Doom ITD (Into the Dust), que veio diretamente de Brasília (DF) para o festival é formada por Nossat, Glauber Rodrigues, Santos e Humberto Medeiros e tem como seu último lançamento o álbum ITD (2018), que foi lançado independentemente este ano. Tendo como influências Eyehategod, os pais do Doom – Black Sabbath e tantas outras, o ITD destruiu no palco da Fabrique. Músicas como a incrível ‘Penhor da Culpa’ e a extensa ‘Arcabouço’ marcaram o show da banda. O show do quarteto foi marcante pela afinação grave do baixo e as excelentes melodias da guitarra, que marcaram cada um que presenciou o show desta talentosa banda.

Os alemães do Samsara Blues Experiment se apresentaram logo depois. A banda divulga seu mais novo álbum, One With the Universe (2017) lançado ano passado e é formada por Christian Peters (guitarra,vocal), Hans Eiselt (baixo) e Thomas Vedder (bateria). A banda basicamente tocou o seu álbum novo inteiro e cá entre nós, é uma viagem e tanto. Somente a faixa de abertura, tem 10:43 minutos! E que viagem incrível foi esta! A faixa seguinte, Sad Guru Returns, traz uma sonoridade um pouco mais despojada mas se engana que a complexidade para por aí. O guitarrista Chris tem mais riffs saindo daquela guitarra do que fãs gastando seu rico dinheirinho na banca do merchandising da banda. Que absurdo tamanha inspiração. A banda encerra seu show com ‘Eastern Sun & Western Moon’, na minha opinião uma das músicas mais inspiradas da grande seleção de viagens musicais que a banda coloca a disposição aos fãs da música.

Era a vez da banda que todos vieram testemunhar: a banda de New Orleans/EUA – Eyehategod. E a banda simplesmente destruiu. Formada por Jimmy Bower (guitarra), Aaron Hill (bateria), Brian Patton (guitarra), Mike IX Williams (vocais) e Gary Mader (baixo) tem como seu último registro o álbum auto-intitulado Eyehategod (2014). A banda não somente foi absurdamente impactante tocando clássicos como Blank/Shoplift, Blood Money e Sister Fucker (Part I) e (Part II) como empolgou todos os fãs presentes. A grande performance do vocal Mike IX Williams ajudou e muito para que os fãs que estavam lá na frente, formassem pequenas rodas de tanta empolgação. Mike é simplesmente maluco e sua performance como vocal é tão louca quanto. Jimmy e Brian ambos responsáveis pela melodia, estavam muito afinados, enquanto a cozinha, fazia o groove mais incrível da noite para os fãs do Eyehategod. A banda termina seu show retornando para o BIS com Left to Starve e Serving Time in the Middle of Nowhere – que grande experiência foi esta ter testemunhado o Eyehategod pela primeira vez pisando em palcos brasileiros. Espero que esta seja apenas a primeira entre muitas que ainda ainda acontecerão. Tenho certeza, que se depender da Abraxas – teremos Eyehategod e muito mais. Vida longa á Abraxas, vida longa ao bom gosto musical!

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