Killing Joke: A surpreendente apresentação de um camaleão do rock

A produtora EV7 Live ousa e traz a surpreendente apresentação do camaleão do rock Killing Joke pela primeira vez ao Brasil

Fotos: Edi Fortini

Texto: Marcos Franke

A grande fonte inspiradora para bandas como Nine Inch Nails, Metallica e Soundgarden, se apresentou no Carioca Club para uma platéia nostálgica. Formada pelo esquisitão Jaz Coleman (vocais), Geordie Walker (guitarra), Youth (baixo) e Paul Ferguson (bateria) a banda ainda contou com um tecladista chamado Reza Udhin e vieram ao Brasil comemorar 40 anos de estrada e divulgar seu novo petardo Laugh At Your Peril.

Interessante no entanto é a grande interpretação de Jaz Coleman para as músicas. Logo na primeira música, o clássico ‘Love Like Blood’, o músico já conseguiu levantar o público que enchia a casa de shows. Impressionante como a banda está afiada e tocando muito bem. A experiência de ouvir ‘European Super State’ ao vivo me lembrou momentos incríveis quando os alemães do Project Pitchfork vieram ao Brasil – que grande importância o Killing Joke teve para bandas de dark wave! A interessante ‘Autonomous Zone’ (Pylon/2015) mais uma vez mostra a grande influência do rock industrial em sua música. A banda não demorou para voltar ao anos 80 com a faixa ‘Eighties’, cantanda em uníssono pelo público. Jaz Coleman aproveitou para falar um pouco de política e disse que estamos sendo jogados para dentro de uma guerra fria digital antes de introduzir ‘New Cold War’ (Pylon/2015) – que música! A banda continua seu show com a excelente ‘Requiem’ emendada pela ‘Follow the Leaders’ – um dos momentos new wave da noite! O público correspondeu muito bem logo depois com a comemorada ‘Blood Sport’ – um dos grandes momentos da noite! O jeito desengonçado de dançar e agitar o público faz do Jaz Coleman um dos frontman mais inusitados dos anos 80. A interessante passagem do antigo com a música ‘Butcher’, para a fase mais nova e mais pesada como em ‘Loose Cannon’ prova a grande variedade de estilos que inspira o grupo. Aliás, para quem curte algo mais pesado, recomendo ouvir o álbum Killing Joke (2003) – um dos melhores álbuns da banda.

Músicas como ‘Labyrith’ e ‘Corporate Elect’ levantaram o público do Carioca Club de tal forma que até rodas de mosh surgiram na empolgação  – a grande interpretação de Jaz Coleman também pode ser responsabilizada por esta ótima reação do pública. Falante e super interativo com o público, Jaz pulou, estendeu a mão ao público e não deixou de fazer caras e bocas em momento algum do show. Um verdadeiro showman! ‘Asteroid’ foi a faixa mais emblemática da noite e a loucura que ela representa foi exatamente o que o show foi nesta noite – um verdadeiro ode ao caos industrial. A banda ainda tocou ‘The Wait’ e ‘Pssyche’ antes de sair do palco. Esta última foi um grande desafio para a cozinha Youth e Paul Ferguson!

A banda retorna ao palco para tocar ‘Primitive’, ‘Wardance’ e se despede dos palcos brasileiros com ‘Pandemonium’ – música que fez a banda ter seu clipe divulgado aqui no Brasil na época dos tempos gloriosos da MTV Brasil nos anos 90. A banda se despede do público prometendo retornar ao Brasil em breve. Vamos ver se esta oportunidade se repetirá. Parabéns á EV7 Live pela ousadia e por confiar no trabalho da banda, que certamente não decepcionou, fazendo deste um dos melhores shows do ano. Bravo!

 

Killing Joke Setlist

Carioca Club 23.09.2018

Love Like Blood

European Super State

Autonomous Zone

Eighties

New Cold War

Requiem

Follow the Leaders

Blood Sport

Butcher

Loose Cannon

Labyrinth

Corporate Elect

Asteroid

The Wait

Pssyche

BIS

Primitive

Wardance

Pandemonium

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