Quicksand: Um show histórico para ficar na lembrança dos fãs

Foto: Flávio Santiago

Quicksand veio fazer história com seu primeiro show em terras brasileiras e emociona fãs na Fabrique Cub, em São Paulo.

Texto: Marcos Franke

Fotos: Flávio Santiago

Primeiramente, Quicksand é um quarteto, não um trio, como a banda se apresentou na Fabrique Club, em São Paulo. Recentemente o segundo guitarrista, Tom Capone, foi preso por roubar uma drogaria nos EUA. A banda decidiu continuar sua turnê sem ele e foi exatamente o que testemunhamos nesta noite. Um trio formado por Walter Schreifel, Sergio Vega e Alan Cage que veio divulgar o álbum Interiors (2017), certamente lançado em segredo para os brasileiros, já que a banda não lançava absolutamente nada em 22 anos.

Mas antes de falarmos de Quicksand, falaremos um pouco da banda de abertura – os paulistas do Eu Serei A Hiena. A Eu Serei A Hiena também divulga seu mais recente álbum Hominis Canidae (2017). Com seu som instrumental, com influências fortes do jazz, punk e post-hardcore a banda chamou a atenção do público com músicas bem diferentes do convencional como a música título de seu álbum novo ‘Hominis Canidae’. A banda é formada por Paulo Sangiorgio Jr. (guitarra), Fausto Oi (guitarra),  Wash de Souza (baixo) e Nino Tenório (percussão) e deixou uma ótima impressão.

O Quicksand entrou no palco pouco depois da ótima performance da banda Eu Serei A Hiena. O que mais me chamou atenção logo no início da apresentação do Quicksand foi a falta de peso da banda. Via-se que a banda fazia um esforço incrível para soar pesado, pulando e agitando muito com o público, mas algo estava faltando. Talvez um substituto para Tom Capone teria dado o retorno que eu imaginava da banda. A expectativa em relação ao Quicksand estava nas alturas e tudo o que via era uma performance de três bons músicos, que pecava em peso. Nem parecia aquela banda que influenciou pesos pesados como o Deftones, por exemplo. Como quando tocaram ‘Delusional’, do álbum Manic Compression (1993) – o meu preferido da banda. O peso do baixo de Sergio Vega estava lá, mas faltava algo. O álbum Manic Compression é tão pesado emocionalmente e musicalmente, que tive a impressão de que estava vendo somente uma parte do barulho sonoro no palco. Acho que o que mais se aproximou do peso do álbum foi ‘Brown Gargantuan’ – graças a grande performance do baixista Sergio Vega e Alan Cage e  seu peso da mão com as baquetas em sua bateria. Certamente um dos pontos altos do show.

Ao tocarem ‘Blister’, por exemplo, não tive a mesma sensação. A banda tocou sim seus sucessos como as faixas ‘Fazer’, ‘Too Official’ e ‘Lie To Wait’ do incrível debute Slip (1993) e levou o bom público a esboçar algumas reações de agito – mas o que via eram fãs boquiabertos em realmente verem uma das grandes lendas do post-hardcore dos anos 90 em cima do palco. A emoção em finalmente ver uma das grandes atrações da época ali, em cima do palco levou o público para um transe bom com interpretações da incrível ‘Unfulfilled’ também do incrível Slip (1993). A Powerline está fazendo um favor aos amantes da música “alternativa” dos anos 90 e traz certamente um dos grandes responsáveis pela explosão do que podemos chamar de ‘metal alternativo’. Fico feliz por ter testemunhado um show histórico, mas sinceramente, achei o show morno demais.

Agradeço a Powerline e ao assessor de imprensa Erick Tedesco pela atenção dada e pelo credenciamento.

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