Batushka: Ritual “Negro” empolga público na Fabrique Club

A banda polonesa Batushka, faz seu primeiro show em solo brasileiro e público sai satisfeito após primeira experiência!

Por Marcos Franke

Fotos Edi Fortini

É no mínimo estranho não ter pelo menos um integrante da banda mostrando o rosto dos oito que estavam no palco da pequena casa de shows Fabrique Club, próximo á estação da Barra Funda de metrô em São Paulo. Descreverei a vocês leitores que havia um vocalista, três cantores que faziam o apoio ao vocal, dois guitarristas, um baixista e um baterista. Num palco bastante pequeno, a banda fez o que pôde para trazer o clima sombrio ao público brasileiro. Claro, nada de incenso ligado ou chamas á mostra – a banda se virou nos trinta. Pelo menos dois músicos, o baixista e o guitarrista base ficaram espremidos no fundão do palco e mal se pôde ver a performance dos dois, pois eram tampados pela performance do vocalista – grande mestre de cerimonias. O trabalho de guitarras no entanto foi fenomenal.

O guitarrista principal ficou á frente e mostrou á que veio demonstrando sua grande habilidade com os dedilhados na guitarra. Promovendo seu primeiro álbum, o elogiado pela crítica, o Litourgiya (2015), os poloneses promovem e muito a imaginação do público. Não se sabe ao certo o que estes poloneses querem ou incentivam com o show, mas a sonoridade é puro Black Metal. A performance é um tanto imaginativa e aberta para diversas discussões. O vocalista é como um mestre de cerimônias, que a cada etapa do show introduz uma espécie de símbolo ao show, que pode ser interpretado como o fã quiser. Ao levantar e abençoar um crânio, o mestre de cerimônias dá espaço á imaginação do fã, que pode entender o que quiser, dando margens á todo tipo de leitura, como a Morte, por exemplo. Os cantos ortodoxos, que ficaram á cargo dos três cantores, são no mínimo inovadores no estilo e deram um clima de ritual ao que o restante da banda tocava.

Sinceramente, nunca imaginei ver esta banda ao vivo e me surpreendi com o que vi. Perplexo, assisti á uma banda original que traz á discussão algo que há tempos me questionava: O Black Metal nunca deixará de ser a mesma coisa? Os poloneses do Batushka trouxeram um novo ar ao estilo, prometendo mexer não somente na estrutura que para muitos é sagrada no estilo, mas também coloca na mesa de que o Black Metal e seu profundo mistério com a magia pode ser muito mais explorado do que é atualmente. A Overload mais uma vez surpreende e traz o que há de original e novo no mercado. Um grande show, que mesmo curto, trouxe de volta a esperança de que há algo novo e promissor dentro do Black Metal – a imaginação além da excepcional música extrema apresentada pelos músicos. Realmente, não importa quem é que está em cima do palco, ou pro trás dos mantos sagrados – vida longa aos monges do black metal.

 

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