Kadavar: Quando Pitágoras é a salvação do verdeiro rock n’ roll

O trio alemão Kadavar vêm ao Brasil pela produtora de shows Abraxas divulgar seu mais novo álbum Rough Times e conversamos com o baterista Christoph “Tiger” Bartelt sobre os “tempos difíceis” que assolam a Humanidade, o desafio de criarem uma nova identidade e a comprovação da grande mística que envolve a composição de trio – constatamos que a magia é verdadeira. 

Por Marcos Franke

Antes de falarmos de sua turnê, que passará pela América do Sul, gostaria muito de fazer algumas perguntas sobre o álbum novo Rough Times. O que vocês queriam dizer com “tempos difíceis”, título de seu álbum novo?

Nossa sensação de vida em 2017. Nós vivemos em tempos de riqueza em nossa parte do Mundo, ao mesmo tempo há uma turbulência de conflitos. Os partidos de direita estão ficando cada vez mais fortes. A digitalização está avançando e muitas vezes não se sabe na internet o que é verdade e o que não é. Vemos muito mais os Estados Unidos nas mídias sociais e esquecemos muitas vezes de nossa verdadeira comunidade e o que nossos pais construíram. Tempos em que nós deveríamos perguntar: O que realmente é importante?

Vocês se distanciaram um pouco desta imagem “retrô” com o álbum ‘Rough Times’. Podemos dizer que a banda sofreu uma espécie de evolução em 2017?

Agora que 2017 passou, diria que muita coisa aconteceu. Nós trabalhamos com muito mais esforço de nossos corações, no álbum e em nosso estúdio. Além disso decidimos mandar embora toda a nossa parte administrativa e desde então fazemos tudo nós mesmos. Tenho a sensação de que agora somos muito mais independentes. Talvez tenhamos nos tornado muito um pouco mais independentes musicalmente também desde então.

Isto tem algo a ver com a decisão de terem gravado o álbum novo no estúdio novo que vocês montaram?

Este foi o ponto decisivo sim. Foi como se mudar para uma casa nova. Foi muito legal ver o que se pode alcançar com as próprias mãos. Nós pudemos, sem sermos incomodados, aplicar as nossas ideias livremente sem termos qualquer tipo de pressão de tempo. Acho que depois de gravar três álbuns, torna-se muito mais fácil, fazer algumas coisas diferente do que fizemos anteriormente.

Como vocês planejaram montar o próprio estúdio de vocês?

Eu estudei técnica de som e já trabalhei em muitos estúdios. Lupus (NR.: Christoph Lindemann (guitarra/vocal)) sempre estudou muito em sua casa como fazer coisas em madeira. Sabíamos já há algum tempo que tínhamos que sair de nosso antigo canto e também tínhamos planejado um pouco. O equipamento nós já tínhamos, então foi mais decidir como dividir os quartos, como trabalharíamos a parte acústica deles, os cabos para passagem elétrica e coisas assim. Foi muito trabalho!

Vocês utilizaram técnica analógica para montar o novo estúdio?

O conceito do estúdio é híbrido. Temos um monte de aparelhagem vintage espalhados por ele, como a aparelhagem de mixagem da Siemens, compressores, gravadores e assim por diante. Mas podemos gravar digitalmente também.

Conte um pouco sobre o seu kit de bateria da Sonor. Como você a montou em seu novo estúdio?

Ela tem um lugar especial no estúdio: no meu da sala! (muitos risos) E em cima de um pedestal! Assim podemos colocar ela em qualquer lugar apenas empurrando o carrinho. Pelo menos assim eu não me sinto tão pequeno. Eu tenho esta bateria já há cinco anos e a utilizei em todos álbuns. A bateria já tem mais de 40 anos e acho que ela é de 1976.

drumkit

Foto: Lendária bateria da Sonor dos anos 70

O conhecimento sobre a banda Kadavar mudou um pouco nestes anos? O quanto ela mudou?

Acho que um pouco a gente muda sempre. No começo éramos um pouco mais uma banda de imagem, abordávamos a coisa mais visualmente. Hoje isto já não é tão importante. Musicalmente ainda queremos a mesma coisa, tocar muito rock n roll! Mas ainda é de nosso acordo mútuo nos desenvolvermos mais um pouco.

Como foi compor as músicas desta vez?

O álbum ficou um pouco mais obscuro desta vez. Eu diria que o processo todo foi muito mais doloroso do que da última vez. Mesmo assim dá prazer quando podemos transmitir as nossas sensações. Lupus e eu tivemos muito tempo para trabalhar nas idéias sozinhos antes de apresentar elas a banda. Fizemos isto antes algumas vezes, mas desta vez foi a regra para o nosso método de trabalho.

Conte-nos um pouco sobre a sensação de serem um trio. Existe mesmo esta magia da composição de três membros?

Eu acho que sim! O triângulo é a menor forma geométrica que há. Assim é um trio também. Claro que há duplas no Mundo do Rock também, mas há apenas duas pessoas trocando experiências. Sempre tem que trabalhar em dupla. A composição como trio é um trabalho que não possui um equilíbrio. Isto é muito interessante. Sempre há mais jogo de cintura do que uma composição de quatro ou cinco músicos.

Assim há sempre um fascínio aos anos 60 e 70, quando o rock surgiu, certo?

Esta época me fascina, desde que eu era criança e eu simplesmente não quero parar.

Vocês escolheram Berlin como a cidade do coração. O que você acha de Berlin, pessoalmente?

Quando me mudei para Berlin, eu pensei em fazer algo legal. Não queria ter um trabalho normal, e sim uma banda e trabalhar com músicos. Talvez como um engenheiro de som e isto eu não sabia direito. Eu também queria sair de minha cidade Natal, ter muitas histórias para contar e conhecer o Mundo. Eu tinha a esperança de que Berlin pudesse ser bom o suficiente para alcançar tudo isto.

Vocês virão ao Brasil para alguns shows e esta é a segunda vez da banda por aqui. Conte-nos um pouco sobre o sentimento em vir tocar na América do Sul.

Eu já estou muito feliz em voltar! Quando viemos da última vez fui maravilhado. As pessoas tinham tanta energia, que é difícil de descrever. Para nós foi como pisar em um novo território. Nunca antes havíamos pisado na América do Sul e todo dia foi como uma grande aventura. Uma pena que temos que voar tanto. Eu desejo que desta vez possamos ver um pouco mais das cidades em que iremos tocar.

O que vocês esperam dos shows aqui na América do Sul?

Eu vou me deixar surpreender. É melhor que esperar por algo.

Você pode antecipar um pouco o que teremos no setlist do show de vocês por aqui? Surpresas?

Vamos tocar algumas músicas novas, naturalmente. Mas como da última vez fizemos uma setlist especial e colocamos algumas coisas mais antigas. Vocês não perdem por esperar!

KADAVAR

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