The Flying Eyes: Um Último Adeus

A despedida dos palcos definitivamente é um das coisas mais dolorosas pela qual um músico pode passar em sua carreira – ainda mais quando esta está em seu auge como acontece com The Flying Eyes. Com seu último álbum Burning of the Season sendo altamente elogiado por críticos musicais, The Flying Eyes faz sua turnê de despedida, que passará por quatro cidades brasileiras, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Palmas (TO) como também por países Sul Americanos como Chile, Argentina e Uruguai. Formada por Adam Bufano (guitarra), Mac Hewitt (baixo/vocal), Will Kelly (vocais/guitarra) e Elias Schutzman (Bateria), a banda aproveita a oportunidade para lançar seu álbum no Brasil em formato digipack pela Abraxas Records. Conversamos com o baterista Elias para saber mais sobre esta despedida e o futuro dos músicos após lançarem o melhor álbum de sua carreira – Burning of the Season. Confira!

Por Marcos Franke

Rock’N’Louder – The Flying Eyes decidiu fazer uma turnê de despedida. Este é um momento triste para vocês?

Elias Schutzman – É um momento “doce amargo”. Estamos tristes em dizer adeus para algo que trabalhamos tão duro e na qual encontramos tanta felicidade. Ao mesmo tempo realizamos o quanto conquistamos e que temos muito do que nos orgulhar. Ver que a nossa música significou tanto para uma comunidade de pessoas fazem com que sangue, suor e lágrimas sejam realmente compensados. Vamos sentir falta de tocar juntos, mas entendemos que é o momento de encerrarmos esta jornada.

Rock’N’Louder – Você tem cinco álbuns lançados. Agora que vocês estão se despedindo, há algum álbum que vocês renegam ou se sentem frustrados em ter que tocar músicas dele?

Elias Schutzman – Acho que todos nós estamos muito orgulhosos do álbum novo Burning of the Season e consideramos que este é o nosso melhor álbum de estúdio por diversas razões. Eu acho que Lowlands é o álbum que sempre nos deixa um pouco “coçando a cabeça” para entender por que ele atingiu este resultado final. Entramos tão fundo na toca do coelho ao fazer ele que perdemos a perspectiva do álbum como um todo. No final não conseguíamos tocar as músicas dele ao vivo por que as gravações se tornaram em composições ricas demais para serem reproduzidas.

The Flying Eyes promo

Rock’N’Louder – Eu acho que Burning of the Season é uma obra de arte em sua discografia. Como você acha que este álbum se destaca dos outros na sua opinião?

Elias Schutzman – Eu acho que ele se destaca por capturar a banda como ela é ao vivo e por possuir a melhor qualidade de áudio de todos os álbuns.

Rock’N’Louder – Foi uma grande surpresa ver que Burning of the Season foi gravado aqui no Brasil. Como isto aconteceu?

Elias Schutzman – Conhecemos nosso produtor/amigo Gabriel Zander a primeira vez que viemos ao Brasil em 2015 e ele ofereceu uma sessão gratuita em seu estúdio, o Superfuzz. Isto funcionou muito bem para nós dois por que amamos o jeito que ele gravou o single (“Poison the Well/1969”) e decidimos fazer o álbum novo inteiro com ele no ano seguinte.

Rock’N’Louder – Parece que vocês gostam de ter experiências em outros países. Você vive na Alemanha, apesar de serem americanos, não?

Elias Schutzman – Não, nós todos vivemos em Baltimore, Maryland, nos Estados Unidos. Mas na verdade, estamos nos mudando para Berlin este ano.

Rock’N’Louder – Burning of the Season me lembra um pouco o primeiro álbum que vocês lançaram, Bad Blood & Winter. Em alguns momentos você pode ouvir uma influência forte de The Doors, certo? Eles também são uma influência para vocês?

Elias Schutzman – Nós todos amamos The Doors, mas eles são  uma influência muito menor que as pessoas imaginam. Em Bad Blood & Winter, Will estava definitivamente encarnando Jim Morrison por que ele ser novo como vocalista e demora um pouco até você encontrar seu próprio estilo. Mas nunca considerei nós, como banda, sermos influenciados especialmente pelo The Doors.

The Flying Eyes (divulgação)-1

Rock’N’Louder – Bad Blood & Winter é mais alternativo quando comparado com os outros álbuns que viriam depois, não acha? Como você vê o crescimento da banda quando comparado aquela fase com a qual vocês estão passando hoje?

Elias Schutzman – Eu não estou completamente certo com o que você quer dizer com alternativo neste contexto, mas há certamente muito crescimento envolvido. Quando gravamos nossos primeiros EPs, nós estávamos ainda descobrindo o nosso som. Na verdade muito do EP Bad Blood já estava gravado instrumentalmente antes de Will se juntar a banda. Com o tempo a gente se tornou melhores músicos, bons compositores e muito mais experientes no estúdio.

Rock’N’Louder – Você sente falta dos tempos em que toda a experiencia era nova e que tudo que vocês criavam juntos era colocado no álbum sem pensar duas vezes?

Elias Schutzman – Sim, absolutamente. Havia algo realmente inocente e mágico sobre o início de nossa carreira. Não colocávamos tanta pressão em nós mesmos para sermos bem sucedidos. Era pura criatividade e empolgação. Eu não diria que não pensávamos duas vezes antes no caso das gravações no estúdio no caso. Gastamos muito tempo lapidando os pequenos detalhes de todas as faixas de nosso primeiro álbum e de todos os outros que o seguiram.

Rock’N’Louder – Vocês agendaram quatro shows no Brasil. O que vocês esperam destes shows aqui e nos outros países da América do Sul?

Elias Schutzman – Esperamos nos divertir muito, dormir pouco e ficar acordado até muito tarde e claro, os fãs serem incríveis como eles normalmente são.

Rock’N’Louder – Vocês estão planejando um setlist especial para esta turnê? Vocês tocarão mais músicas do que era de costume?

Elias Schutzman – Eu acho que haverá uma boa chance de tocarmos um monte de música antiga…

Rock’N’Louder – Quais são os planos para cada um de vocês após vocês terminarem estes shows? Poderemos seguir a carreira de cada membro no futuro?

Elias Schutzman – Faremos mais um show em Baltimore e mais uma aparição num festival que ainda não foi anunciado. Adam e eu continuaremos a tocar com nossa outra banda – a Black Lung e os outros dois farão música própria em algum momento…

burning of the season

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