Black Sites: Sem Rótulos ou Limites

Black Sites é uma banda de Chicago, Estados Unidos, que surgiu das cinzas de uma banda que passou meio que desapercebida no Brasil, o Trials. Mark Sugar, guitarrista e vocalista da banda, percebeu que tinha algo novo em mãos quando percebeu que tinha músicas longas, melódicas e progressivas – muito diferente daquilo que fazia no Trials. Assim que a banda terminou, decidiu investir nesta nova empreitada. In Monochrome é fruto do início desta nova jornada, que leva o ouvinte para uma jornada de riffs que misturam influências de grandes bandas como Paradiste Lost, Slayer, Testament á elementos novos, progressivos. Apesar da sonoridade moderna, Black Sites se mantém com os pés fincados em influências de grandes bandas do passado e isto dá aquele “feeling” de metal tradicional ao álbum. Conversei com o músico sobre esta estranha sensação de túnel do tempo, que de antigo não possui absolutamente nada. Confira!

Por Marcos Franke

Rock’N’Louder – Quando você percebeu que você tinha músicas prontas para um novo projeto?

Mark Sugar – Eu acho que tudo estava pronto para In Monochrome no começo de 2016. Eu estava numa banda diferente antes desta e estava tudo programado para escrevermos um novo álbum para ela, mas sempre surgiam músicas longas, melódicas e progressivas ao invés disto. Esta banda acabou no verão de 2015 e até lá eu já tinha todas estas músicas sendo desenvolvidas, então pareceu uma boa oportunidade de começar de novo.

Rock’N’Louder – Você já sabia que a banda nova, no caso o Black Sites, seria uma banda nova ou um projeto solo?

Mark Sugar – Black Sites está numa linha tênue entre “banda” e “projeto solo”. Nós obviamente temos outros membros e sua função é muito importante. Entretanto, eu comecei a banda e sou o responsável por tudo que acontece nela.

Rock’N’Louder – Foi natural para você assumir os vocais também ou você pensou em pedir para um vocalista assumir esta função?

Mark Sugar – Eu considerei por um tempo achar um vocalista “de verdade”, mas se tornou mais prático fazê-lo eu mesmo. Eu vi uma chance de melhorar as minhas habilidades coo vocalista e provar minhas capacidades.

Rock’N’Louder – Amo o trabalho de guitarras em In Monochrome. Como você surgiu com trabalhos complexos de guitarra como na música ‘Watching you Fall’, por exemplo? Quando você entendeu qual riff deveria ser gravado primeiro?

Mark Sugar – Eu acho que escrevi o primeiro riff por último? Todas estas músicas apenas surgiram como idéias pequenas ou temas musicais e depois foram expandidas, melhoradas e tomaram direções diferentes até se tornarem músicas inteiras. Eu foquei também na tradicional formação dois guitarristas/baixista e fazer estes instrumentos tocarem partes diferentes que complementam um ao outro ao invés de todos tocarem o mesmo riff.

Rock’N’Louder – Há muita influencia do rock progressivo como na música ‘Locked Out’, misturado á influências mais extremas como Strapping Young Lad e Morbd Angel. Como você se sente em misturar tantas influências em uma música para você? É natural para você?

Mark Sugar – Eu sempre ouvi muita música diferente e não tento colocar qualquer rótulo ou limites para o que ouço. Eu amo rock progressivo, amo Strapping Young Lad, amo Morbid Angel. Eu não estou surpreso que todas estas influências surgiriam um pouco em cada música que escrevo.

Rock’N’Louder – Suas influências também são Frank Zappa, Testament e Slayer, tudo misturado. Como você lida com tantas influências misturadas?

Mark Sugar – Novamente, eu não pensei muito nisto. Eu na verdade não sou um grande fã de Frank Zappa, apesar de me identificar muito com uma música dele, “Cocaine Decisions”.

Rock’N’Louder – Eu até ouvi Paradise Lost em sua música, como em ‘Watching You Fall’! Eles também são uma influência para você? è incrível como isto traz de volta lembranças da época do Draconian Times…

Mark Sugar – Fico feliz que você notou isto! Eu sou muito fã do Paradise Lost, especialmente dos álbuns “Icon” e “Draconian Times”. Eu queria escrever uma música neste estilo, já que Paradise Lost perdeu o interesse em compôr músicas assim.

Rock’N’Louder – Desculpe, mas ainda estou muito impressionado com In Monochrome e intrigado como você conseguiu balancear o novo com o velho em cada música. Como você fez isto no estúdio? Foi muito difícil para você?

Mark Sugar – É o que a banda é. Amamos e respeitamos a velha escola e é o que primariamente influencia a banda, mas tentamos soar originais. Nossa tarefa no estúdio foi bem direto – mantemos as coisas bem cruas quanto a nossa performance e não fomos muito longe com edições digitais ou auto-tune como a maioria das bandas o fazem hoje. Você pode ouvir pequenas imperfeições no álbum, mas é o que faz soar Humano.

Rock’N’Louder – Eu amei a introdução ‘M Fisto Waltz’ combinada á agressiva ‘Dead Languages’ – você ouve elas se complementarem. Você compôs elas assim, ou elas foram colocadas junto no estúdio?

Mark Sugar – ‘M Fisto Waltz’ foi a última coisa que escrevi para o álbum e eu o fiz como uma piada – como tirando sarro de Trans-Siberian Orchestra ou uma desta bandas de “symphonic metal” que tem aqueles medleys grandiosos em cada álbum. Parece que a piada foi longe demais e esta faixa acabou sendo a introdução do álbum. ‘Fisto’ e ‘Dead Languages’ foram gravadas no estúdio como uma faixa e acrescentamos a introdução com piano e as trompetes mais tarde.

Rock’N’Louder – Mas a minha música favorita é ‘Burning Away the Day’. Ela possui um complexo trabalho de baixo/bateria, não? Você compôs isto também?

Mark Sugar – História verídica – a maior parte desta música surgiu em meu sono. Eu acordei com uma música em minha cabeça, gravei a idéia básica no meu telefone e logo voltei a dormir. Mais tarde, nosso baterista Chris Avgerin surgiu com estas partes da bateria que você menciona, que são incríveis. Vê-lo tocar esta música é insano – parece desafiar gravidade.

Rock’N’Louder – Também acho incrível esta homenagem á música ‘Raining Blood’ do Slayer e até ‘Call of Chtulhu’ na faixa ‘Hunter Gatherer’ – é uma influência clássica para quem curte este tipo de música, não? Tem um sentimento forte dos anos 80!

Mark Sugar – Eu honestamente estava pensando em algo mais voltado ao Queensryche/King Diamond nesta música, mas não vou reclamar ser comparado a qualquer coisa vindo do Ride the Lightning, que é um álbum fantástico. Eu cresci ouvindo thrash dos anos 80 e toda vez que pego a guitarra eu provavelmente vou soar um pouco com esta época, independente eu querer ou não (risos).

Rock’N’Louder – Quais são os planos para o futuro agora?

Mark Sugar – A próxima coisa que faremos é outro álbum. Será um pouco diferente de In Monochrome, mas será incrível e estou muito empolgado com ele.

Rock’N’Louder – Muito obrigado por fazer esta entrevista e espero vê-lo ao vivo no Brasil com o Black Sites um dia!

Mark Sugar – Eu amaria vir para o Brasil e tocar para vocês! Se houver algum promotor lendo esta entrevista, me mandem um e-mail. Obrigado por esta entrevista e pelo seu apoio!

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