McGee & the Lost Hope: Misticismo e rock n’ roll trazem esperança ao rock nacional

Crédito Foto: Lorena Santiago

 

McGee & the Lost Hope foi a banda que surgiu no final deste ano para trazer uma das melhores perspectivas para o rock nacional para 2018. Lançando o single ‘Magick Beings’ pelo selo Abraxas, com parceria com outros dois selos, a Dinamite Records e a Tropical Fuzz Fever a banda já possui um EP chamado ‘Sensitive Woman’, que possui uma das melhores combinações de vocal feminino e guitarra que já ouvi este ano do Brasil. Conversei com Bernardo, guitarrista da banda, que falou sobre sua forte influência de Led Zeppelin, misticismo e como surgiu a oportunidade de trabalhar com telcadista Alex Veley, do Nando Reis. Confira!

Por Marcos Franke

Rock ‘N’Louder – Como surgiu a idéia de criar a banda?

Bernardo – A idéia surgiu a partir desse encontro entre eu e Mauren, nós sentimos que tínhamos uma grande missão a cumprir pela frente – e aqui estamos nós, fazendo música!

RNL – Como funciona esta colaboração de Mauren McGee e você?

Bernardo – Trabalhar com a Mauren é realmente demais! É desafiador e estimulante ao mesmo tempo, nós somos do mesmo signo(nascemos no mesmo dia, com apenas 1 ano de diferença) e acho que isso de alguma forma ajuda a criar uma conexão entre nós. O processo criativo pra mim sempre foi algo meio solitário e a Mauren chegou e me mostrou da melhor maneira possível que não precisa ser assim, ela é uma excelente compositora!

RNL – Por que o nome McGee & the Lost Hope?

Bernardo – Eu venho de uma estrada muito longa na música: bandas, turnês, gravações, viagens internacionais. Quando nós começamos essa banda eu tive que juntar forças e recuperar a minha esperança perdida nisso tudo – não é uma vida fácil, mas com certeza é muito divertida!

RNL – Vocês estão lançando um single chamado Magick Beings. Conte-me um pouco sobre como vocês compuseram esta faixa?

Bernardo – Nosso novo single é uma parceria minha com a Mauren – nós tocamos essa canção desde o começo da banda, porém só gravamos e lançamos agora. Há um flerte com o Occult Rock que é uma vertente que a gente quer explorar cada vez mais, foi um caminho natural pra gente, tem elementos de blues como sempre e a letra segue uma temática mais ocultista e elemental, refletindo nossas práticas e experiências pessoais – já que a música é um relato de um ritual Elemental que a Mauren experienciou de verdade. Nós apenas criamos a trilha sonora pra esse momento, justamente pra encorajar as pessoas a desenvolverem suas próprias experiências místicas. A arte da Valentina (uma grande Bruxa e nossa amiga pessoal) ajuda muito a compor essa atmosfera ritualística, por conta da sensibilidade e da riqueza de detalhes captados pela artista.

RNL – Aliás, como vocês conheceram Alex Veley, o tecladista que participou do single ‘Magick Beings’?

Bernardo – Eu conheço o Alex pessoalmente desde que fiz uma turnê aqui no Brasil com o Gwyn Ashton. Estávamos na van, voltando pra casa e o Gwyn puxou assunto com o Alex falando:”Cool hat!” – somos amigos desde então e espero que nossa parceria possa render muitos frutos no futuro!

RNL – Vocês lançaram um EP antes deste chamado Sensitive Woman. As músicas que estão neste EP estarão num álbum junto com este novo single?

Bernardo – Talvez. Seria mais interessante ter tudo isso gravado e lançado ao vivo!

Acho o trabalho de guitarras ainda a parte mais elaborada e criativa do McGee & the Lost Hope. É você que surge com as idéias para as músicas ou é um trabalho em equipe?

Bernardo – Acha mesmo? Obrigado! Guitarra é comigo mesmo, eu apenas procuro fazer o meu melhor pra acompanhar o ritmo da Mauren. Ela canta muito, então eu tenho que tocar muito pra banda não ter nenhum “elo fraco”.

RNL – O release da banda diz que vocês criaram uma trilha sonora para encorajar as pessoas a desenvolverem suas próprias experiências místicas. Quais seriam estas experiências místicas?

Bernardo – Acredito que toda experiência mística é uma forma de autoconhecimento, precisamos nos reconectar com nosso lado humano e sensorial, esquecer um pouco essa avalanche tecnológica que nos cerca, sabe? Precisamos de pessoas mais conectadas entre si através da música, da magia, dos laços afetivos e menos iludidas pelo exagero tecnológico. Cada vez que fazemos um show e reunimos pessoas, fazendo-as sentir bem: estamos fazendo magia!

RNL – Vocês tem uma abordagem relacionada ao misticismo na banda?

Bernardo – Cada vez mais, acredito  eu, estamos caminhando naturalmente para isto!

RNL – Aliás, acho que vocês tem uma grande influência de Portishead em sua música. É muito forte em ‘Sensitive Woman’ – aquela coisa noir, mas ao invés do trip hop há aquela tristeza natural do Blues. Eles são uma influência para você?

Bernardo – Naturalmente, mais pra Mauren do que pra mim… mas posso concordar com isso!

RNL – Ao mesmo tempo vocês tem uma forte conexão ao Led Zeppelin, o que se pode ouvir claramente em Driving Your Car. Esta mistura de estilos é uma característica deste trabalho entre você e Mauren?

Bernardo – Agora sim, você tocou em um ponto interessante! Nossa influência pelo Led Zeppelin vai muito além da parte musical, eu particularmente admiro o trabalho do Jimmy Page não só como guitarrista, mas também como um grande magista que é e pelos conceitos que ele conseguiu incorporar em sua música. Todo o conceito de Luz e Sombra e da utilização da  energia Kundalinica que ele pôs em prática durante toda a carreira do Led Zeppelin são claramente balizadores do meu trabalho!

RNL – A linha de vocal realmente faz uma diferença incrível para a faixa Better Run. Como surgem as melodias de voz para as músicas do McGee & the Lost Hope?

Bernardo – Ah, isso aí é com a Mauren! Ela cria as melhores linhas vocais, sem dúvida.

RNL – Vocês agora tem o apoio de um dos selos mais ousados da atualidade, a Abraxas. Como surgiu a oportunidade de trabalhar com eles?

Bernardo – Estamos muito felizes com o apoio da Abraxas e dos outros 2 selos envolvidos no lançamento: Dinamite Records e Tropical Fuzz Fever! Trabalhar com a Abraxas foi um caminho natural pra gente: fizemos nosso primeiro show em um evento deles e isso é começar com o pé direito, de lá pra cá viemos alinhando nossa parceria – que não vai parar por aqui, temos mais 2 singles no forno e com certeza nossa parceria será duradoura!

RNL – Para finalizar esta entrevista, quando vocês pretendem lançar o primeiro álbum de vocês e quais são os planos para o futuro da banda?

Bernardo – Lançaremos nosso primeiro álbum assim que isso se tornar uma demanda real dos fãs e apoiadores da banda, não temos pressa, queremos entregar um material que faça sentido como um álbum quando houver essa necessidade. Temos alguns lançamentos programados para 2018 e com certeza queremos continuar na estrada, passando por lugares novos e revisitando lugares onde fomos muito bem recebidos, por isso: “Vamos ver o que vem por aí, não dá pra saber ainda!” mas com certeza é coisa boa!

Ouça o novo single aqui

mcgee (1)

%d blogueiros gostam disto: