Myrkur: A Verdadeira Expressão do Black Metal

A palavra “myrkur” significa “escuridão” em islandês e a música de Amalie engloba muito mais do que uma dimensão musical. Com seu distinto estilo musical, MYRKUR é definitivamente uma criação brutal, ao mesmo tempo feminina e delicada. Bruun diz em seu site – “Sempre sonhei em me tornar Huldra, a sereia ou uma Valquíria, como a Deusa Freia. Estas mulheres poderosas da Mitologia Nórdica tem um elemento de beleza e mística, mas são também mortais”. Neste clima, MYRKUR lança este ano seu mais novo álbum Mareridt – e faz deste um dos melhores lançamentos do metal extremo este ano. Tive a oportunidade de trocar uma idéia com esta polêmica e desafiadora cantora. Confira!

Por Marcos Franke

Rock’N’Louder – A música da Escandinávia realmente teve uma influência em sua música e serve de catalisador para tudo que você faz artisticamente, não?

Amalie Bruun – Sim, isto é verdade.

Você pode nos contar um pouco sobre sua introdução ao Metal e como você percebeu que esta seria a melhor plataforma para expor suas ideias musicais?

Minha base musical é a música clássica. Eu cresci tocando o violino e tocando em orquestras sinfônicas. Também cantei muito em corais. Não há muita diferença entre a música clássica e o black metal. É música que se baseia na beleza da dor do coração misturada á violência da escuridão. Eu sempre carreguei muita raiva e ódio em mim e black metal, mais que outro tipo de música e um bom lugar para expressar isto. Ao invés de negar este lado para mim mesma e para a vida, quero explorar isto e ir mais a fundo, criando coisas com isto e compartilhar isto com pessoas que pensam que nem eu.

Você reconhece bandas como Alcest, Agalloch e Deafhaven como bandas contemporâneas ao que você faz?

Eu não tenho certeza o que isto significa. Não ouvi estas bandas, mas já ouvi falar delas através de fãs deles. Mas não posso dizer que minha música é similar a deles pois nem ouvi estas bandas. Talvez eles se inspiraram com a mesma música da Escandinávia com qual eu cresci ouvindo.

Quais são os conceitos primários ou idéias que você espera passar com a sua música ou tudo isto é puramente pessoal e não passa de um desafio como músico?

Algumas pessoas vivem uma vida não natural e elas restringem a si mesmas. Elas até encolhem para uma criatura insignificante. Estas pessoas não estou em contato com seu estado natural de Ser ou com seus poderes ancestrais, com os Deuses dentro de nós. Eu tento viver uma vida proativa e não reativa. Muitas vezes você vê pessoas vivendo de acordo com a reação de outras pessas relacionadas a elas. Quase como se você precisasse de outros Humanos para lhe dizer o que elas são, gostam ou como se definem. Eu desejo aquilo que eu desejo. Eu desejo não ser limitada por definição de gênero ou selos que pessoas precisam por em outras pessoas para que elas se sintam seguras. Mas eu amo, respeito e quero proteger a comunidade black metal. Eu conecto á quase todos os apoiadores do black metal que tendem a ser pessoas dedicadas com amor autêntico á música que ouvem. É a mesma coisa para pessoas que ouvem á música clássica.

Você mixou corais tradicionais ao seu álbum. Você cresceu ouvindo este tipo de música? Como você descobriu a sua voz?

Eu acho que descobri a minha voz quando eu era criança, quando ouvi o coral de garotas da Dinamarca pelo radio. Logo senti esta conexão com estas vozes. Elas cantavam músicas Escandinavas antigas arranjadas diferentemente e aquilo me inspirou muito. Tocar o violino junto com outros instrumentos de corda talvez tenha ajudado a formar este meu carinho por vozes. Eu tenho esta mania de fazer arranjos de corais em minha cabeça e ouvir vozes antes de iniciar uma camada de gravação. Arranjos de cordas como as músicas de Edvard Grieg ou Tchaikovsky eu sempre ouvi e cantei junto com elas. Sem palavras claro. Eu meio que consigo ver a parte do cello cantado por uma voz ao invés disto. Eu incorporo isto em outras coisas também. Eu acho que minha guitarra sempre toca de um jeito diferente por que sempre tento transmitir a melodia do coral para a guitarra. Isto cria texturas diferentes e um universo de cordas bem diferente do normal.

Quais benefícios você teve em trabalhar com uma gravadora como a Relapse?

Eles me deram a liberdade para lançar música sem falar em identidade ou do jeito eu aparento ser. Eles entenderam a minha filosofia e minha tendência ao black metal e música em geral. Eles me ajudam a espelhar a mensagem do black metal.

Você já levou Myrkur para os palcos algumas vezes. Você se considera mais um artista de estúdio?

Eu quero tocar muitos shows. Eu estou trabalhando sempre para fazer estas músicas soarem ao vivo como elas precisam soar. Agora quero tocar elas com um coral. Meu sonho é fazer um show com um coral de garotas misturado ao instrumental brutal do black metal.

Você se sente confortável em cima do palco? Você gosta de turnês?

Eu não gosto de fazer turnês, mas gosto de tocar ao vivo. É assim que música tem que ser. Você tem que tocar ela, ser performático. Gosto de me conectar com pessoas que estão ali – é uma sensação incrível. É um compromisso que você precisa ter.

Há algum tempo, novas bandas estão surgindo usando o black metal apenas como ponte. Você acredita no fim do black metal? Alguns músicos até dizem que não há mais lugar para desenvolver o black metal. Você acredita ser algo dentro deste gênero saturado que ainda não foi descoberto?

Eu acho que sim (risos). Mas acredito que há tantas bandas com potencial que tem medo de mudar por causa da ‘responsabilidade’ que carregam. É estranho pensar que há pessoas que não querem que este gênero cresça e desenvolva. Você pode ver que todo o black metal da Escandinávia está parado no começo dos anos 90. Eu ainda ouço isto e amo muita coisa, mas quero outra coisa. Pessoas precisam entender que música é música. E é isto.

O primeiro álbum Myrkur, foi bem diferente e agora com Mareridt é outra coisa. Os estilos estão se comunicando muito entre seus álbuns. Você não deve se importar muito com rótulos, não?

Não me importo mesmo, nunca me importei. Pessoas que rotularam a minha música nunca realmente. Como você mesmo disse, eu estou acima destes rótulos. Sinceramente nunca prestei muita atenção neles. Mas é ok se você se importa. Sabe que há algo a ser dito sobre pessoas que querem ser “verdadeiras” em algo. Como você vai evoluir ou acrescentar algo aquilo? Não é responsabilidade do artista acrescentar algo a sua música? Acredito que a outra foram seja mais um coletivismo. É como a porra do comunismo (risos).

Mas você sente a necessidade de compartilhar ou apenas mostrar sua habilidade? São diferentes aproximações e eu acho que você procura algo a mais…

Para este álbum tudo se tornou algo próprio. Eu sempre fui perturbado por pesadelos minha vida inteira e eles foram tão ruins estes últimos dois anos que eu comecei terapia junguiana. Eu eu escavei isto tudo. Eu comecei Myrkur lá atrás por que sempre me interessei na forma Junguiana a se referir ao seu lado negro que eu decidi chamar de sombra. Eu preciso passar pela minha própria escuridão através da música e talvez tudo se tornou maior, uma pessoa por inteiro. Tornou-se real. Com este álbum eu explorei isto mais a fundo e meu objetivo não foi bem musical e sim psicológico. Eu inspiro que pessoas façam o mesmo. Acho que hoje é muito importante.

Então você só está deixando seus demônios saírem?

Não literalmente, mas encarando eles e sendo honesta comigo mesma. É muito duro você entender que você pode ser bem podre como Ser Humano…

Quais são os planos para o futuro?

Eu não sei. Trabalho com intuição. Eu tenho plano algum.

Obrigado pela entrevista. 

Obrigado pela oportunidade.

 

Canais Sociais:

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