Epica: Explosão de Sentimentos!

Foto: Tim Tronckoe

A banda Epica hoje é uma das maiores bandas de metal sinfônico da Holanda e talvez do Mundo. Um dos responsáveis para este sucesso é o guitarrista Mark Jansen. Principal compositor da banda, Mark se responsabilizou em compôr os arranjos e a orquestração musical do grupo que lança este ano o EP The Solace System. Com oito datas marcadas somente no Brasil, o Epica virá para a América do Sul para uma das mais extensas turnês já feitas pela banda por aqui. Conversamos com o simpático músico para saber mais sobre a expectativa da banda em retornar ao Brasil e sua forte relação com os fãs da América do Sul. Confira!

Por Marcos Franke

Rock N’Louder – Há um novo EP chamado The Solace System. Vocês tem planos em lançar outro álbum até a turnê ano que vem ou esta turnê apenas englobará este novo EP?

Mark Jansen – Sim, sim. O EP é o grande lançamento para o Epica este ano e o próximo álbum vai demorar um pouco mais do que as pessoas estão acostumadas. Normalmente a gente lança álbuns muito rapidamente, mas desta vez demorará um pouco mais. A gente acha que a gente precisa de um pouco mais tempo para recarregar as baterias, pois os últimos álbuns foram bem intensos para nós. Fomos muito fundo dentro de nós mesmos para retirar material para os álbuns e isto toma muita energia. Então, após recarregarmos energia e ficarmos um pouco com as nossas famílias e lidar com projetos paralelos, voltaremos a lançar um álbum novo.

O EP é bem longo e possui quase meia hora de duração. É quase um álbum!

(risos) É um EP mas é de uma forma um pequeno álbum. Muitas pessoas e fãs o vêem como um mini-álbum. É como se fosse um álbum novo e os fãs estão curtindo muito. Na verdade estas faixas são músicas remanescentes de nossos últimos dois álbuns e não queríamos que ficassem como um bônus em alguma edição japonesa. Queríamos manter elas juntas pois acreditamos que trabalhamos muito nelas e seria uma pena elas terminarem como faixas bônus sem importância.

A música ‘Immortal Melancholy’ é incrível, profunda e extremamente emocional. Acho que deve ter sido bem difícil compor algo assim para você, não?

Sim, sim. Eu nunca escrevi uma música assim. Estava sentado com o meu produtor e estávamos trabalhando numa música e ele me indagou por que não escrever uma música do zero, deixar a inspiração fluir, ele disse. Eu disse, “Por que não?” e sugeri a composição de uma balada no violão, pois nunca havia feito isto antes. Amo fazer coisas novas. Sentamos juntos e esta música foi resultado disto, uma tarde de composição. Adicionamos uns arranjos de violino mais tarde, mas o principal foi feito em uma tarde. A minha sensação em relação a esta música foi incrível. Sascha Peath colocou as linhas de vocais de Simone e em pouco tempo a música ficou pronta. Para mim ela poderia estar no Holograhic Principle, mas já tínhamos tantas músicas lá que ela acabou ficando no EP. Melhor assim, por que ela agora possui um destaque neste pequeno registro.

Acho que muitas pessoas irão comprar este EP só por causa desta grande balada que você compôs!

Sim, ouvi muita coisa boa até agora e pessoas estão confessando que até lágrimas nos olhos surgiram ao ouvir esta música. É um grande elogio para um compositor receber tal relato sobre uma música sua. Eu estou feliz por poder tocar o coração das pessoas.

Acho que você não se inspira romanticamente desta forma desde a sua saída do After Forever, não?

Sim, sim. Verdade. Nunca pensei em ver desta forma. Na época do After Forever eu também tinha estas inspirações românticas. Mas não havia esta preocupação em escrever algo assim. Mas acho que agora eu realmente tive a intenção em escrever algo assim e foi o momento certo.

Vocês tem uma agenda muito apertada com turnês, como você lida com isto sendo o principal compositor para a banda?

Ás vezes é bem difícil por que agora eu também estou compondo coisas para minha outra banda, o MaYan. Na última turnê européia que a gente fez com VUUR eu basicamente estava escrevendo, ou melhor, retocando as linhas finais de composição para o MaYan. Durante o dia estava tocando com o Epica e á noite eu estava terminando as músicas para o álbum do MaYan. Então, ás vezes é bem intenso e, preciso confessar, que ás vezes faço coisas bem esquisitas (risos). Preciso sempre de alguém que me fale que preciso dormir de vez em quando (risos).

É estranho pensar que MaYan é outro estilo de som quando comparado ao Epica. Como você sabe que aquela música serve para o Epica ou vice-versa? Os estilos não entram em conflito?

Muitas pessoas me perguntam isto, mas é difícil responder pois está totalmente fora do meu controle na verdade. Muitas vezes a música é tipo uma mistura dos dois, então eu tenho que jogar para uma banda e ver se os músicos curtem, senão eu a utilizo para o MaYan mesmo. Mas é muito difícil saber para qual banda uma específica música pertence. No momento no caso está fácil por que estou compondo para o MaYan e tudo que estou escrevendo é para este projeto e o álbum do Epica ficará mais para frente. Mas no caso dos álbuns Antagonise (MaYan) e The Quantum Enigma (Epica), que foram todos feitos ao mesmo tempo, foi conflitante e muito difícil, pois foram produzidos, mixados e criados ao mesmo tempo.

Quando vocês pensam nesta nova fase pela qual vocês estão passando, fechando grandes festivais e vindo regularmente ao Brasil como vieram em 2016 com o Epic Metal Fest, como vocês estão vendo isto tudo? Epica já pode ser considerada uma banda mainstream? Vocês se consideram uma banda já fora do circuito Underground?

Acho que depende do país. Em alguns países nós somos mainstream como você mencionou e em outros bem pequenos. Naa França, tocamos no festival Le Zénith em Paris, um dos grandes festivais por lá que estava com os ingressos esgotados. No Japão do outro lado, fomos pela primeira vez e ainda somos bem Underground e fãs se animaram em ir em casas de shows menores. Eu pessoalmente prefiro casas de shows pequenas e ter esta proximidade que existe com os fãs do palco. Amo os shows em que posso olhar o fã nos olhos e ver a empolgação em cada pessoa ali em frente do palco, com a temperatura alta mesmo. A atmosfera de um show assim é incrível, poder tocar as pessoas – isto é o que um verdadeiro show de rock precisa ser. Que ainda podemos tocar shows pequenos assim me dá muito mais prazer. Metallica por exemplo não tem mais este contato e pra mim, ficaria muito chato depois de um tempo. Preciso deste contato com o fã, interagir. Para mim é um elemento muito importante.

Então vir para o Brasil é a verdadeira solução para satisfazer seus desejos (risos).

Sim, claro. É o que eu amo no Brasil. As pessoas interagem muito com a banda e quanto mais energia que você transmite, mais energia você terá de volta. Isto é perfeito no Brasil. Em alguns países nórdicos por exemplo, mesmo você colocando muita energia em sua performance, demora muito para você ter um retorno do público. Para mim um show incrível é quando você sobe ao palco e logo de cara você é metralhado por esta energia e interação. No Brasil você alcança isto com mais facilidade que em outros países. Por isso, amo de coração tocar no Brasil.

Falando em interatividade, você se importa em tirar fotos, dar autógrafos o tempo todo? Aqui no Brasil, como acredito na América Latina as pessoas gostam de ter esta interação e há muitos artistas que não sabem lidar com isto.

Eu sempre tento ter em mente que para as pessoas ter uma foto sua e um autógrafo é muito importante. Eu mesmo, na minha posição, como fã de Megadeth por exemplo, faria a mesma coisa. Então tento manter isto em mente sempre. Mas ás vezes você tem apenas três horas de sono e você chega no hotel e você precisa acordar em três horas e há um monte de pessoas querendo falar com você. Quanto mais tempo você terá gasto com fãs ali, menos você dormirá. Sempre quando você tira foto com alguém, logo há outros que tem o mesmo direito. Logo, certamente você ficará por lá e não terá descansado nada. Às vezes tem pessoas no aeroporto, depois na casa de shows e logo depois no hotel, então é muito difícil tomar esta decisão. Dói muito pra mim não atender um fã, mas ás vezes foge do meu controle. Achar o equilíbrio disto tudo é a chave do negócio e poder dar o melhor de mim no palco é essencial.

Deve ser pior para Simone, não?

Sim, claro. Mas é mais fácil pra gente (risos). A gente manda ela na frente e nós vamos logo atrás. Ela é a distração e conseguimos dar aquela escapada estratégica (risos).

É diferente para vocês vir para o Brasil para um festival como foi o Epic Metal Fest e vir sozinhos? O setlist muda totalmente não?

Nós sempre ouvimos o que as pessoas querem ouvir e nós fazemos um setlist daquilo que queremos tocar e tentamos mudar toda noite para que os fãs possam sempre ter um setlist diferente para cada cidade. Assim, o fã sempre terá um setlist diferente. Tentamos variar o máximo que podemos. Nós também fazemos mudanças importantes, como na última turnê europeia, deixamos ‘Cry for the Moon’ fora do setlist. Depende dos lugares que você visita. Às vezes nós visitamos a cidade tantas vezes que mudamos o setlist totalmente e incluímos músicas nunca antes tocadas ao vivo. Depende dos lugares que visitamos.

Quando você fala em ‘Cry for the Moon’, isto me remete fortemente a primeira vez que vocês vieram ao Brasil promovendo o álbum The Phantom Agony, junto com o Kamelot. Lembro que foi uma experiência incrível. O que você lembra deste show?

Eu lembro muito bem deste dia pois a gente tocou no Rio e Roy estava muito doente naquele dia. Lembro que tivemos um grande show e eu nunca vou me esquecer daqueles tempos. Lembro que no Rio, havia pessoas do lado de fora do show querendo ver a nossa apresentação. Foi uma experiência única e muito impactante. Eu acho que agora já viemos umas seis ou sete vezes para o Brasil e sempre voltamos. Acho que no começo não havia muitas bandas que vinham á América do Sul e hoje há muito mais. Sou muito feliz por ter vindo logo no começo da história da banda pois hoje conseguimos manter e até aumentar a nossa base de fãs por aí. Hoje há muitas bandas que vem pela primeira vez ao Brasil por exemplo e não conseguem emplacar.

Desta vez vocês estão vindo ao Brasil tocar em oito cidades diferentes, entre elas cidades em quais vocês nunca tocaram como Recife, Fortaleza, Manaus. Como vocês estão se preparando para esta maratona de shows, pois Brasil é um país imenso!

América do Sul é sempre muito difícil. Precisamos pegar muito avião e é muito cansativo pelas poucas noites bem dormidas. Mas não tem muito que se preparar para isto. O que você pode fazer é tentar dormir o máximo que você pode, seja no avião ou no sofá. Isto é, qualquer chance de sono que você tiver, durma pois você precisará a energia.

Como vocês estão se preparando para cidades que vocês nunca tocaram antes como Recife, Manaus e Fortaleza? Quais são as expetativas?

Finalmente iremos para cidades em que fãs que nunca tiveram a chance de nos ver ao vivo, terão esta possibilidade. Espero que estas pessoas fiquem completamente loucas durante os shows – é isto que eu espero, pelo menos. Eles me prometeram que quando tocarmos lá eles cantarão juntos e farão muito barulho. É exatamente o que precisamos.

Tenho uma última pergunta para você. O que significa para você ser um músico?

Ser músico é dedicação, paixão, trabalho duro que muitas vezes pessoas não valorizam e vêem apenas os lados positivos. É claro, muitas vezes você só vê a banda no palco, mas além disso é muito trabalho, especialmente quando você faz todas as tarefas administrativas você mesmo, então somos uma bandas que se auto-administra. Ser um músico é muito mais que apenas tocar a guitarra ou cantar, mas vem com todo o pacote desde administrar tudo relacionado a banda, como fazer shows, compor música, promoção, todas estas coisas estão envolvidas, que também possui seu lado excitante.

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