Volkana: O Retorno aos Palcos

A Volkana está de volta. Após 30 anos a banda retorna aos palcos no Festival Metal Warriors IV com Marielle  Loyola (vocais), Isa Nielsen (guitarra), Karen Ramos (guitarra), Tiemi (baixo) e Fernanda Terra (bateria).  Sergio Facci, baterista da formação inicial da banda, ficará de fora desta apresentação por motivos pessoais que não puderam ser adiados. Conversamos com Marielle para saber mais sobre o retorno de uma das pioneiras do metal feminino no Brasil.

Por Marcos Franke

Volkana é uma banda líder do movimento feminino no Heavy Metal brasileiro, como você vê o retorno da banda aos palcos após tanto tempo?

Marielle Loyola: Olha, vejo normal… Eu e Serginho estávamos muito afim de tocar juntos novamente. Achamos as pessoas certas e está bem legal.

Você acha que algo mudou?

Não vejo muitas mudanças no mercado, acho que bons músicos e ótimas bandas é uma coisa que sempre tivemos no Brasil, dentro do estilo. O que está fraco, e muito, é o chamado “Rock Nacional”.

Há algumas mulheres muito fortes dentro de nosso cenário extremo destruindo com atitude pelos palcos afora no Brasil! Você acha que o palco é o melhor momento do retorno do Volkana? Por quê?

Na verdade, não pensamos muito em se era o momento certo… Somente resolvemos voltar a tocar juntos, pois tocar é o que nos deixa completos. E sim, temos várias bandas muito boas no cenário, o que é natural. Hoje em dia todos tem acesso fácil ao que acontece pelo mundo, instrumentos e tal. No nosso tempo não tínhamos nada, né? (risos)

Você acha que ao vivo a banda consegue demonstrar melhor sua atitude?

Eu sempre achei que em estúdio a Volkana se sentia presa. O palco sempre foi nosso melhor “espaço”, digamos assim. Tem banda que gosta de gravar. A gente gostava mesmo era de tocar ao vivo, pois a energia real de uma banda é no palco. Mas me pergunto o que é ter “atitude” no palco… Acho que ter atitude é demonstrar sua linha de pensamento através das letras e composições, e no palco transmitir essa linha de pensamento. Isso a Volkana sempre fez muito bem, pois nossas letras e composições usam o dia a dia do Ser humano, com um pouco de sarcasmo e tristeza, pois não há nada pior que seres humanos. (risos)

Você e o Sérgio são os mais próximos da formação original da banda. O que mudou após tanto tempo longe dos palcos?

Nós somos a formação original né? Antes da formação do First (N.R.: Primeiro álbum do Volkana), o que tivemos foram as passagens normais de elementos até a fixação de uma banda. E olha, acho que não mudou nada. Agora sabemos lidar melhor com as composições, digamos que estamos mais organizados. Porque antes a gente era meio “vamo aí”… Amadurecer e se tornar profissional é algo que só faz bem em qualquer carreira. Acho que até por isso resolvemos voltar , pois agora realmente sabemos o que queremos, estamos seguros de que queremos tocar e que é esse o estilo de som.

O Vodu voltou á ativa recentemente. O Sérgio vai conseguir fazer parte dos dois projetos ao mesmo tempo? Como isto está sendo organizado?

O Sérgio sempre foi muito organizado, desde sempre. Então acho que não teremos problemas de agenda pra frente. Neste primeiro show, que acontece em Curitiba, não teremos a participação dele, por motivos particulares. A data bateu com um compromisso marcado há mais de seis meses, antes de resolvermos voltar. Então quem irá fazer a apresentação com a gente é a Fernanda, ex-baterista da Nervosa. Ninguém sabe disso ainda, tô te falando agora (risos).

Há muito tempo me pergunto do paradeiro da Karla e da Mila. Alguma notícia delas?

Sempre trocamos mensagens entre nós, nunca estivemos realmente distantes, pois o que vivemos na nossa adolescência foi muito forte e nunca seremos separadas. A Mila tem sua empresa no interior de São Paulo, a Karla trabalha com equipamentos em SP, mas não tocam mais. Claro que pra volta conversamos com elas, que deram total apoio, pois sem ele também não faríamos nada. Elas são e sempre serão as verdadeiras Volkanas. E olha, essa volta não foi algo pensado, calculado: Foi natural. Eu já tinha tirado uns Volkana com a Karen Ramos, na brincadeira, quando tocamos juntas no Cores D Flores. Ela sempre curtiu a banda, foi natural chamar ela. E a Isa e a Priscila, pelo que sei, também conheciam o Sérgio através da admiração que tinham pelo som da Volkana. A partir daí, eu e Sérgio, que nunca deixamos de nos falar e fazer coisas juntos, resolvemos: “Vamos tocar Volkana?”. “Vamos!”. E tá indo, sem planos mirabolantes, só tocar …

Você não participou do álbum Mindtrips de 1994. Vocês tocarão músicas deste álbum no festival Metal Warriors? Qual é a sensação de cantar as letras para estas músicas? O estilo do álbum é bem mais extremo quando comparado ao estilo do primeiro álbum, não?

Olha, infelizmente não deu tempo de tirar músicas do Mindtrip pra esse show, pois tivemos esse problema com o Sérgio, que não conseguiu cancelar seu compromisso, e não quisemos colocar pressão na Fernanda, que chegou pra dar uma força. Então esse primeiro show será só o First mesmo. E sim, saí da banda por um problema de saúde com familiares na época, e foi o que me trouxe novamente a Curitiba. Sei que a banda teve uma mudança abrupta de estilo, pois a Cláudia era cantora mesmo, eu sou vocalista de banda, só. Não sei cantar cover, e não tô nem aí. (risos) Só sei cantar o que eu componho, pois é isso que me dá prazer. O “Pet Sematary” no disco foi uma escolha feita por nós porque a Karla era doente por Ramones; eu tinha acabado de ler o livro do Stephen King, muito mais foda que o filme, e aí foi natural. E ao vivo a gente só tocava Ramones, raramente umas outras tipo Alice In Chains, Black Sabbath… Quanto cantar as letras dessas músicas acho demais. São todas minhas, e ainda cabem perfeitamente na minha linha de pensamento. Eu acho o First muito mais thrash que o Mindtrip. Ali acho que a gente era mais Punk, mais adolescente. O Mindtrip é mais trabalhado. Na verdade são duas bandas diferentes. E tem as pessoas que preferem um ao outro. Isso é normal.

Você participou de um projeto chamado Cores D Flores. Você pensa em retomar este projeto?

Eu gostava do Core D Flores, e acho ele atual até hoje. Os integrantes já pensaram em voltar, mas não sei…  eu gosto é da pancadaria sonora. O Cores D Flores é legal, mas não sei; quem sabe um dia (risos).

Há uma apresentação sua na internet de um show do Volkana no Dama Xoc em São Paulo, 1992, abrindo para o Korzus. O que você lembra deste show?

O show do Dama foi demais. Era Ratos de Porão, não? É que tocamos lá muitas vezes. Nosso primeiro grande show em São Paulo foi lá, com o Ratos. E foi muito legal. É importante porque foi nosso debut no berço do metal nacional, e tocando com os melhores, puta responsa. Mas foi tudo perfeito e só alegria.

Esta energia que você transmitia neste show ainda pode ser vista por você hoje em dia nos shows do Volkana?

O som da Volkana exige energia. Não tem como ficar parado. E ainda não subimos no palco juntas, né? A estreia é no Metal Warriors, agora em dezembro. Então vamos pra cima.

Muito obrigado pela sua entrevista! Deixe sua mensagem para aqueles que ainda tem dúvida em aparecer no festival Metal Warriors, em Curitiba!

Falando em Metal Warriors, a culpa da volta do Volkana é do Marlon Gaio, organizador do festival e vocalista da banda Aquilla. Ele pediu pra Volkana tocar no festival. Falei com o Sérgio, ele topou, e foi! É tudo culpa do Marllon!

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