The Rasmus: Às Vezes a Escuridão Volta.

Após cinco anos de hiato, o The Rasmus, formado por Lauri Ylönen (vocal), Pauli Rantasalmi (guitarra), Eero Heinonen (baixo) e Aki Hakala (bateria) volta com seu mais novo álbum Dark Matters. Conversei com o líder Lauri Ylönen sobre sua nova fase na vida, carreira solo e a grande influência que Los Angeles tem exercido em suas composições. Ele falou sobre o encontro emocionante com os fãs brasileiros em São Paulo. E também tive um papo cabeça sobre um tema cada vez mais recorrente –  o suicídio – assunto muito abordado por Lauri em suas letras. Sem mais delongas, segue a entrevista.

Por Marcos Franke

Dark Matters é o nono álbum da banda. Quais são suas expectativas para este lançamento?

A expectativa é muito alta, já que ficamos um bom tempo fora de cena. Decidimos fazer uma pausa e mesmo assim temos fãs esperando por algo novo nosso. Estou ansioso em fazer shows e encontrar os fãs, que também estão muito ansiosos em ter algo novo nosso. A expectativa é recíproca, acredito eu.

Eu ouvi ‘Wonderman’ e ‘Nothing’, ambos do álbum novo Dark Matters. O restante das músicas terá o mesmo direcionamento musical?

Alguns meses antes do lançamento a gravadora foi lançando uma música a cada mês para ver como seria a resposta dos fãs para cada tipo de música no álbum Dark Matters. Este álbum é muito diferente dos anteriores, pois testamos diversos sons, com elementos eletrônicos e até rap. Mas vendo o “coração” de cada uma, você ainda ouvirá aquele “DNA” do The Rasmus. Testar novos sons, e  assim ser um pouco diferente do tradicional foi a grande meta para Dark Matters.

Quando você percebeu que vocês tinham músicas boas para um novo álbum?

A chave para tudo foi a canção ‘Wonderman’. Ela foi a canção que me deu certeza que teríamos um novo álbum. Moro em Los Angeles e fui muito influenciado pelo Rap de lá. A atitude do assim chamado “gangster rap” virou minha grande inspiração junto com a atitude e ritmo. Juntei isso tudo à melodia e aos refrães tradicionais do The Rasmus e pronto, eu tinha material para um novo álbum. Após passar um tempo com meus filhos e ter descansado de turnês cansativas ao redor do Mundo, estou pronto para mais.

Você lançou um álbum solo chamado New World. Como foi a experiência? Deve ter sido difícil compôr e escrever todas as músicas sozinho para este projeto solo.

Foi interessante esta experiência. Trabalhar com sintetizadores, baterias eletrônicas e outros elementos eletrônicos. Me empolguei tanto com este tipo de som que já tenho meu segundo álbum solo pronto.

Você tem nome para ele já?

Ele está todo pronto. Só precisa ser lançado. Eu estou concentrado com o The Rasmus agora, mas logo que tiver um tempo, lançarei este álbum também. Pensei em chamar ele de “House”, por causa da pegada mais eletrônica house que ele tem, mas não tenho certeza. Quero no momento pensar em fazer esta turnê com os meus amigos e o The Rasmus primeiro, por quê fazer turnês sozinho é muito chato.

Você fez shows para promover 0 álbum solo que você lançou?

Fiz alguns na Finlândia e na Alemanha, mas era tão estranho ter tudo novo – era uma equipe inteira de estranhos. Com o The Rasmus eu conheço todos, até o iluminador que está com a gente há 12 anos. Me sentia muito só fazendo estes shows. Com os meus amigos e com o The Rasmus é muito melhor excursionar. Mas é interessante por outro lado, ter novos fãs e conhecer outros lados do mercado da música.

Mas existem dias ruins ou bons para você quando compões música para o The Rasmus?

Na maioria das vezes eu estou triste, com saudades de casa ou magoado quando componho para o The Rasmus. Afinal, componho quando estou em turnê. Hoje sou mais responsável, principalmente por ser pai – uma das experiências mais incríveis que se pode ter. Estar com os meus amigos, com quais eu trabalho desde 1994 é uma das grandes felicidades que tenho. Há sempre a mistura entre o feliz e o triste e assim, continuo compondo para o The Ramsus.

Vocês sempre foram comparados a banda HIM, banda finlandesa que possui uma sonoridade muito parecida com a de vocês e que decidiu se separar este ano. O que você acha desta comparação?

Temos muito em comum mesmo. É algo voltada á herança finlandesa e as escalar musicais que compartilhamos, imagens. É importante definir a nossa origem, da onde nós viemos. O Sepultura por exemplo, é uma banda brasileira e você consegue ver isto no som da banda, é incrível isto. As raízes são a coisa mais importante que um músico pode ter.

Dark Matters será lançado em 6 de outubro. Vocês já têm planos para uma turnê Mundial?

Sim, turnê é um dos planos. Vamos para a Índia em Novembro e logo seguiremos para a Europa, Japão, Rússia, onde faremos uma excursão de seis semanas! Logo depois acho que faremos Finlândia e depois as Américas. Queremos vir ao Brasil em Maio de 2018.

Como pude testemunhar no Meet and Greet com vocês no Partisans Pub em São Paulo, The Rasmus possui muitos fãs bem apaixonados. Como você se sente com tantas pessoas amando suas músicas?

É uma sensação incrível. Sabe! (suspiro) Ouvir sussurros no seu ouvido de que você foi essencial na recuperação de alguém no hospital é emocionante demais! É uma honra para mim como compositor ter este tipo de declaração. Música sempre foi algo muito importante para mim. Não consigo viver sem ela e fico feliz que posso passar esta sensação para outros. Ainda mais emocionante é ter casais que casam ao som da sua música e ainda chamam o filho de Rasmus, homenageando a banda. É muito lindo isto!

A música de vocês lida muito com emoções, como você lida com fãs que reagem a estas músicas com tanto entusiasmo?

Teve uma vez que quase fui esfaqueado no palco. Um fã conseguiu subir com uma espécie de faca. Eu quase me dei muito mal. É às vezes perturbador pensar nisto por muito tempo. Tento me concentrar mais nos momentos legais, que são muito mais frequentes.

Muitas vezes esta paixão leva pessoas a levarem muito a sério o que vocês escrevem em suas letras mais tristes e algumas cometem suicídio. Como você lida com este tipo de coisa?

Sabe, às vezes é realmente demais e não sei lidar com isso muito bem. Tive a experiência de descer de boa em um elevador num Hotel e quando abre a porta me deparo com uma garota, de uns treze anos no chão chorando, soluçando mesmo, na minha frente. Fiquei sem reação. Também tive minha fase de tristeza na adolescência, mas você esquece com o tempo, como todos seus hormônios estão no talo nesta época.

A capa do álbum Dark Matters mostra uma pessoa na escuridão, tendo que passar por uma porta de fogo. Você acha que esta capa não pode passar uma ideia de que não há saída desta escuridão? Afinal, os índices de suicídio têm crescido ultimamente.

Quando você está numa situação desta ouvindo a nossa música, pare. Vá ouvir uma música clássica, tente se concentrar em se cuidar primeiro. A capa para Dark Matters na verdade é uma forma de esperança. Que todas as pessoas precisam passar por aquela porta pegando fogo. Faz parte da vida. Viver é um grande desafio. Talvez passar pela porta pegando fogo, seja a forma de vencer a depressão e o instinto destrutivo.

Obrigado por esta entrevista e deixe uma mensagem para os fãs que de alguma forma utilizam sua música como uma válvula de escape das coisas ruins do dia a dia.

Muito obrigado por vocês serem o que são. Ao utilizar a nossa música como válvula de escape, pensem que sempre acreditamos na esperança, independe se o mal está reinando temporariamente sua vida. O bem e a paz não reinarão sempre, mas poderão fazer parte de sua vida com pequenas atitudes. Obrigado por abordar este tema tão importante em sua entrevista. Paz, sempre!

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