Overload Music Festival mostra força das bandas alternativas em sua quarta edição com lineup ousado.

Foto: Edi Fortini

Texto: Marcos Franke

Fotos: Edi Fortini

A edição de 2017 de um dos festivais mais importantes do Brasil, trouxe este ano bandas mais ousadas como Les Discrets, Sólstafir, Enslaved e o músico John Haughm (ex-Agalloch) provando que o público sempre comparece quando a música é de primeiríssima qualidade.

O músico John Haughm (Pillorian, ex-Agalloch) foi o primeiro a pisar no palco do Festival Overload. A proposta do músico foi levar o público para um clima como o gélido e inóspito que passava no telão no fundo do palco. Sem diálogos ou interação com o público, o músico subiu sozinho com sua guitarra e junto com efeitos de pedais fez um show que mais pareceu um enorme solo de guitarra que combinava exatamente com o cenário do telão. Aqueles que esperaram versões acústicas de músicas da banda Agalloch, ficaram a ver navios.

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            Uma das apresentações mais esperadas da noite foi a dos francêses do Les Discrets. Capitaneada por Fursy Teyssier, o multi-instrumentista lança este ano seu mais novo álbum chamado Prédateurs. Aqui no Brasil, a banda ficou conhecida por ter em seu lineup o também multi-instrumentista Neige, que já veio duas vezes ao Brasil com o seu projeto Alcest. Stéphane Paut ou Neige como é conhecido, deixou a banda em 2013 para dedicar-se exclusivamente ao Alcest. O som do Les Discrets é bem excêntrico e fez a festa dos fãs e uma parte mais mente aberta do público. Muitos aproveitaram para ficar na fila e pegar autógrafo com os integrantes do Sólstafir, comer um dos hambúrgueres artesanais vendidos no festival ou aproveitaram para comprar o merchandising exclusivo das bandas no festival. Muitas músicas foram retiradas de álbuns que classifico como conceituais e ter apenas aquela música, solta no setlist, soa um pouco perdido. Um dos bons momentos do show foi a sequência’ L’Échappée’ e ‘Les Feuilles de l’olivier’ – ambas seguidinhas do álbum Septembre Et Ses Derniéres Pensées/2010 logo no início do show. Mas a mais bela música na minha opinião, a incrível Chanson d’Automne, do álbum Septembre Et Ses Derniéres Pensées/2010 ficou um pouco perdida sem o grandioso complemento Septembre et ses dernières pensées. Dificílimo deve ser fazer um setlist para uma banda que lança álbuns que são verdadeiras obras de arte por inteiro.

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            Para o Sólstafir a experiência de palco para os fãs foi bem diferente. Começando pela música de abertura ‘Silfur-Refur’, de seu novo álbum Berdreyminn/2017 – uma intensidade quase indescritível. Parecia que estávamos entrando em um clima meio faroeste que se intensificou com a grande interpretação de Aðalbjörn “Addi” Tryggvason – a grande estrela da banda. Este interagia com o público, fazia caras e bocas, disse que amava o Brasil algumas vezes durante a interpretação das músicas e se declarava fã da recepção calorosa que obteve dos fãs. O músico é retribuído com o mesmo carinho ao interpretar músicas do álbum que mais sucesso obteve, o grandioso Ótta/2014 com as músicas ‘Ótta’ e ‘Náttmál’. Claro que músicas do ótimo Svartir Sandar/2011 como ‘Djákninn’ ou a que dá o nome ao álbum ‘Svartir Sandar (Areias Negras’) simplesmente trouxeram o Carioca Club abaixo. Que grande frontman é este islandês Aðalbjörn que não apenas tocou sua guitarra de joelhos e fez o vocal para as músicas, como também subiu na divisória que existia entre público e palco e decidiu curtir o momento o mais perto do público que podia. Foi um dos grandes momentos da noite!

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            Os noruegueses do Enslaved, representando o som mais extremo da noite, fechou o festival com chave de ouro. A banda decidiu deixar seu momento atual mais progressivo de lado e mergulhou em sua fase mais extrema e antiga, sabendo que os fãs que ali estavam pediam por isto há muito tempo. Estava claro que a banda estava muito feliz em pisar pela primeira vez em solo brasileiro. O vocalista e baixista Grutle Kjellson se sentia muito privilegiado juntamente com o guitarrista Ivar Bjørnson pois podiam finalmente mostrar ao vivo para o público brasileiro sua história de 13 álbuns e 23 anos de carreira. A banda percorreu músicas de seus álbuns mais emblemáticos como Ruun do emblemático álbum Ruun/2006 – que na época de lançamento venceu até um Grammy Norueguês de melhor álbum de Metal, a representante do álbum RIITIIR/2012 Death in the Eyes of Dawn e a grandiosa Ground Vertebrae/2008 são só apenas alguns exemplos de evolução que a banda teve em tantos anos de carreira e que pudemos testemunhar ao vivo no Overload Festival. Mas um dos momentos mais incríveis ficou para o momento Black Metal da noite com a interpretação de Heimdallr e Vetrarnótt ambas do clássico Vikingligr Veldi/1994. A banda fez questão de citar de que iriam ainda mais longe em sua história com Allfǫðr Oðinn e Slaget i skogen bortenfor, ambas do primeiro álbum da banda Hordanes Land/1993. Que grande apresentação desta, que é uma das grandes bandas na Noruega. Um ótimo festival, que mais uma vez mostrou diversidade e coragem em tempos sombrios de crise e falta de dinheiro. Parabéns aos produtores e vida longa ao Overload Festival. [MF]

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SETLIST

 

John Haughm

 

 

Les Discrets

 

L’Échappée (Septembre Et Ses Derniéres Pensées/2010)

Les feuilles de l’olivier (Septembre Et Ses Derniéres Pensées/2010)

Le Reprouche (Prédateurs/2017)

Virée Nocturne (Prédateurs/2017)

Le Mouvement perpétuel (Ariettes Oubliées… /2012)

Chanson d’Automne (Septembre Et Ses Derniéres Pensées/2010)

Aprés l’ombre (Ariettes Oubliées… /2012)

La nuit muette (Ariettes Oubliées… /2012)

La traversée (Ariettes Oubliées… /2012)

Song for Mountains (Septembre Et Ses Derniéres Pensées/2010)

 

Solstafir

 

Silfur-Refur (Berdreyminn/2017)

Ótta (Otta/2014)

Náttmál (Otta/2014)

Ísafold (Berdreyminn/2017)

Djákninn (Svartir Sandar/2011)

Fjara (Svartir Sandar/2011)

Svartir Sandar (Svartir Sandar/2011)

Goddess of the Ages (Köld/2009)

 

Enslaved

 

Ruun (Ruun/2006)

Death in the Eyes of Dawn (RIITIIR/2012)

Ground (Vertebrae/2008)

Ethica Odini (Axioma Ethica Odini/2010)

One Thousand Years of Rain (In Times/2015)

Heimdallr (Vikingligr Veldi/1994)

Vetrarnótt (Vikingligr Veldi/1994)

Allfǫðr Oðinn (Hordanes Land/1993)

Isa (Isa/2004)

 

BIS

Slaget i skogen bortenfor (Hordanes Land/1993)

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