Camaleão Musical Anathema traz The Optimist á São Paulo

São Paulo, 12 de agosto de 2017 - Anathema - Carioca Club - São Paulo/SP Foto: Alessandra Tolc

Com o novo trabalho The Optimist, Anathema faz um show com mudanças musicais que abordam diversos gostos musicais e estilos lotando casas por onde passa com sua turnê.

Por Marcos Franke, Fotos: Alessandra Tolc/Overload

O Anathema é o grande exemplo de banda que não mede esforços para continuar evoluindo num mercado tão competitivo como o da música. Com esta reformulação musical há consequências como ter sua música classificada como pop pelos fãs que curtem o início da carreira do grupo. Com The Optimist, álbum que a banda veio divulgar no Brasil, mais uma mudança ficou bem evidente – o logotipo da banda. Mas parece que isto é completamente ignorado pela maioria dos fãs, que entusiasmados, apenas se satisfazem por ter a chance de ver a banda novamente. O sucesso do álbum foi o alerta para que o Carioca Club fosse tomado por uma grande quantidade de fãs, na esperança de que eles tocassem clássicos da época em que eles eram mais pesados musicalmente (Serenades/1993, The Silent Enigma/1995 e Eternity/1996). A banda, formada por Daniel e Vincent Cavanagh (guitarras, teclado, vocais), John Douglas (bateria), Lee Douglas (vocais), Jamie Cavanagh (baixo) e Daniel Cardoso (teclado) subiu ao palco pontualmente ás 19:00 da noite para iniciar seu show. Com dois clássicos do álbum Weather Systems/2012 com Untouchable, Part 1 e Untouchable, Part 2 – muito bem recebidos pelo público. Lee Douglas, a assistente vocal de luxo da banda, já faz uma de suas melhores apresentações, sentindo-se muito mais á vontade com o público. Mas o destaque fica mesmo para Vincent Cavanagh que se tornou um dos melhores frontman que vi nesta cena musical. É este que leva o público a pular e se perder em músicas como Endless Ways e The Optimist do álbum novo The Optimist/2017 com sua fantástica performance no palco.

Anathema_São Paulo_2017_122_Web-logo

Mas é com Deep, clássico do álbum Judgement/1999 é que o Carioca Club vem abaixo. É aquele momento em que a música faz todo o serviço e o músico só observa o fã indo á loucura. A música emenda em Pitiless, Forgotten Hopes e Destiny is Dead como no álbum, levando muito marmanjão ás lágrimas no Carioca Club. Logo após este clássico da banda, Vincent diz que estas músicas também são uma resposta aos críticos de plantão que dizem que a banda se vendeu ao pop, o que óbvio Vincent rebate com ênfase perguntando “Uma banda pop saberia compôr música assim?”. No entanto, para mim a alfinetada não funciona muito bem quando logo depois a banda continua seu setlist com Dreaming Light do álbum We’re Here Because We’re Here/2010 – uma das baladas mais incríveis da banda. Logo emendam com Can’t Let Go do álbum The Optimist/2017 – uma das músicas mais diferentes da carreira do Anathema. Com Can’t Let Go a banda volta á melancolia e ao álbum We’re Here Because We’re Here/2010 e deixam o palco após Closer do álbum A Natural Disaster/2003. A banda não demora para retornar ao palco com Springfield do álbum The Optimist/2017 – uma das músicas mais agitadas do álbum novo. A banda terminou seu primeiro BIS com A Natural Disaster do álbum Natural Disaster/2003 e Distant Satellites do álbum Distant Satellites/2014.

Anathema_São Paulo_2017_072_Web-logo

A banda deixou o palco e retornou sem Vincent, onde Danny diz que o irmão está muito cansado da viagem e precisava de uns minutos de descanso. Tomou a responsabilidade para si tocando a incrível One Last Goodbye do álbum Judgement/1999 – uma das músicas que mais incríveis já compostas pelo músico. Vincent volta para colocar a cereja no bolo tocando músicas de um dos maiores clássicos da banda, o Alternative 4/1998. Com músicas como Lost Control, Destiny, Shroud of False e Fragile Dreams a banda prova que vive um grande desafio profissional – conseguir angariar todos os tipos de audiências – sejam elas pop, heavy metal, alternativas, desde que o indivíduo goste de música. Esta é a chave, música.

Anathema_São Paulo_2017_136_Web-logo

Os que estiveram no Carioca Club não testemunharam um representante musical de um estilo e sim de uma banda que está em constante mudança, viva, trazendo inovações. Na minha opinião, Vincent ou qualquer um da banda não precisa se explicar, afinal, eles já são tudo o que se espera de uma banda que ama o que faz. E que venham mais vezes, para que possamos acompanhar esta incrível evolução multifacetada do Anathema. Bravo! [MF]

 

SETLIST:

Untouchable, Part 1

Untouchable, Part 2

Endless Ways

The Optimist

Deep

Pitiless

Forgotten Hopes

Destiny Is Dead

Dreaming Light

Can’t Let Go

Universal

Closer

Encore:

Springfield

A Natural Disaster

Distant Satellites

Encore 2:

One Last Goodbye (Danny solo)

Lost Control

Destiny

Shroud of False

Fragile Dreams

%d blogueiros gostam disto: