Red Mess: Feeling e Peso Unidos

Prestes a embarcar em turnê com os ucranianos do Stoned Jesus pelo Brasil, conversamos com Douglas Labiagalini, baterista do Red Mass sobre o novo álbum IntotheMess, um marco para a cena stoner brasileira. Nesta entrevista, Douglas explica seu papel rítmico com Lucas Klepa nas linhas de baixo e a grande responsabilidade de Thiago Franzim (guitarra) nas composições de cada faixa e a dificuldade de manter a objetividade das composições fortemente influenciadas nas pirações do rock progressivo dos anos 70.

Por Marcos Franke

Rock’N’Louder – A faixa que abre o álbum logo de cara é instrumental.  Por que escolheram uma música instrumental para abrir o novo álbum?

Douglas Labigalini – A razão de escolhermos a “Raskolnicov” para ser a primeira do álbum seria justamente pelo começo dela. O riff da guitarra sozinho acompanhado com a bateria e o baixo entrando em seguida. Achamos que isso prenderia mais quem estivesse ouvindo pela primeira vez.

RNL – As músicas que abrem IntotheMess realmente tem influência do rock progressivo, mas diria que é mais influenciado pelo jazz, mais pela grande variedade de ritmos utilizados. Esta mistura é natural para vocês na hora da composição? Como funcionou?

DL – O legal de compor no RedMess é justamente o fato da gente não se prender a nada. Colocar no som o que vier na cabeça, seja de qualquer vertente musical. Fazemos jams e mais jams e acaba saindo essa mistura quântica.

RNL – ‘Illusion’ no entanto começa como um grande tributo ao Black Sabbath, mas desacelera tanto que fica ainda mais evidente a influência do doom em sua música. Como foi compôr esta variação sonora nesta música, que é uma grande mistura de influências?

DL – Creio que na época estávamos vidrados no Graveyard. Achamos que necessitávamos de uma música um tanto mais calma mas que não perdesse o peso do álbum que mostra no final dela.

RNL – Não acho que o som de vocês seja bagunçado e sim, influenciado por muitas vertentes diferentes. O que mais fez vocês variarem de estilo durante as composições? Foi a vontade de se manterem no “stoner rock”?

DL – A colocação de tocarmos stoner rock é algo que talvez se pareça mais com nós, mas isso é só um genêro, né? A gente tenta colocar de tudo nos sons, tudo o que vem na cabeça, principalmente sempre rola uns tempos quebrados, uma brincadeira aqui e ali, por aí vai. Nós escutamos coisas demais, seja do progressivo dos anos 60, 70 até bandas modernas e que nada tem a ver com stoner, como Vulfpeck.

RNL – Quem ouve o RedMesspela primeira vez através do álbum “IntotheMess” leva um grande baque pela complexidade sonora das músicas. Como foi passar o que estava na cabeça de vocês para o instrumento? Demorou para vocês acertarem o ritmo para cada uma?

DL – Cara, falar para você que demorou demais (risos)! Mas nada impossível! Fizemos vários ensaios, tocamos muitas vezes cada um dos sons e com o tempo acertamos tudo. É tudo uma questão de entrosamento entre nós também, estamos desde 2013 juntos, então a gente aprende como cada um toca.

RNL – A faixa ‘IntotheMess’ é a minha faixa favorita do álbum, por que consegue manter o peso durante a música inteira, sem perder o foco. Vocês acreditam que neste estilo, onde a criatividade deixa você simplesmente “voar”, fica mais difícil manter o foco para o rumo que a música está tomando? Como vocês não perdem o “fio da meada” de cada música?

DL – Na minha opinião, concordo plenamente com a sua colocação. Quando a música toma rumos mais parecidos com uma “jam” é bem complicado dar um seguimento concreto para o som. Na ‘IntotheMess’ a nossa preocupação era fazer com que tudo se conectasse e mostrasse que aquilo ali foi totalmente pensado quando foi feito.  Acho que não perdemos pelo grande número de ensaios e principalmente o entrosamento entre nós três, pois como disse, às vezes com tanto tempo tocando junto, nós aprendemos a entender como cada um da banda toca.

RNL – Acredito que o stoner ou doom rock, como queiram, dá a liberdade ao músico de incluir muitas influências em sua música, mas tira um pouco o foco do peso e até o rock da música deixando a música muitas vezes apenas levando o ouvinte para uma viagem lisérgica. Como vocês exploraram o rock em IntotheMess? Foi uma opção manter o rock em suas músicas ou ele veio naturalmente?

DL – A gente sempre curtiu muito rock. De qualquer vertente que seja. Creio que no IntotheMess, a gente tentou misturar os dois. Matar 2 coelhos com uma pancada só (risos). Portanto, tentamos incluir o rock direto, com peso mas também incluindo algumas viagens lisérgicas. O processo de manter o rock na composição do som vem naturalmente com a gente, é inevitável.

RNL – Ao contrário de maioria das músicas do álbum a faixa mais direta do álbum é ‘Disillusion’. Como foi se segurar para não viajar nesta faixa também?

DL – Cara, essa música a gente até brinca que ela é a faixa de abertura da “Malhação” do RedMess (risos). Me lembro que o Thiago (N.E.: guitarra,voz) chegou com esse riff da ‘Disillusion’ meio que totalmente pronto e a gente só incrementou algumas coisas aqui ou ali. Concordamos com você que é a faixa mais direta do álbum.

RNL – É muito interessante ouvir como você trabalha em sintonia com Lucas (baixo). A preocupação de manter o ritmo deve ter sido uma das grandes preocupações da dupla, não?

DL – Eu e o Lucas temos essa preocupação sempre, mas no final sempre rola! Ficamos ligados ali um no outro, vendo o que cada um faz, mesmo que um improvise no meio da música, cada um fica esperto com o outro para não deixar a música desandar.

RNL – As melodias do RedMess são criadas a partir da guitarra?

DL – Sim sim. Ás vezes o Lucas (N.E.: Klepa (baixo)) traz as melodias também.

RNL – Como é transmitir esta energia do RedMess ao vivo?

DL – Vou te falar, é a melhor sensação do mundo. O álbum foi gravado todo ao vivo, com todo o feeling possível. Tocar esses sons em shows é maravilhoso.

RNL – Por falar em tocar ao vivo, vocês excursarão o Brasil com o Stoned Jesus da Ucrânia com ajuda do selo Abraxas. Como vocês estão se sentindo com esta oportunidade?

DL – Ansiosos demais. Sair em turnê do álbum pela primeira vez e ainda com o Stoned Jesus é uma oportunidade gigante. Vamos dar o nosso melhor para ser um show melhor que outro nessa tour.

RNL – Muito obrigado pela entrevista e espero poder ver vocês ao vivo em breve. Sucesso!

DL – Nós que agradecemos! Nos vemos em algum show qualquer dia desses.

Stoned Jesus SP

 

SERVIÇO

Stoned Jesus em São Paulo

Evento: facebook.com/events/298956770527814/

Data: 19 de agosto de 2017

Horário: a partir das 18 horas

Bandas: Red Mess (18h30) + Cobalt Blue (19h30) + Stoned Jesus (20h30)

Local: Clash Club

Endereço: Rua Barra Funda, 969

Ingressos: antecipado promocional/meia entrada: R$ 70, sem taxa de conveniência até o final de junho.

Online: https://www.sympla.com.br/stoned-jesus-em-sao-paulo—19-de-agosto-no-clash-club__153529

Pontos físicos:

Yoga Punx (rua Doutor Cândido Espinheira, 156, Perdizez, (11) 94314-7955)

Volcom (rua Augusta, 2490; apenas em dinheiro, (11) 3082-0213)

Loja 255 na Galeria do Rock, (11) 3361-6951

Ratus Skate Shop (rua Doná Elisa Fláquer, 286, Centro, em Santo André, (11) 4990-5163)

 

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