Lucifer’s Friend: Renovação com influências clássicas;

Lucifer’s Friend é uma banda alemã, formada em 1970 pelo guitarrista Peter Hesslein e o vocalista John Lawton, antes mesmo de se juntar ao Uriah Heep. Com uma sonoridade muito distinta das bandas da época, ficou conhecida por mesclar o heavy metal ao rock progressivo com notas de jazz fusion como em Banquet (1974), o primeiro álbum do quinteto. Com uma formação um pouco diferente dos anos 70, Lucifer’s Friend volta á ativa com um novo álbum chamado Too Loud To Hate e será lançado pela Hellion Records no Brasil. Conversamos com John Lawton (ex-Uriah Heep), uma das grandes vozes do heavy metal dos anos 70, para saber mais sobre este novo lançamento e tentamos descobrir como o vocalista de 71 anos consegue manter seus vocais intactos após tantos anos na ativa.

John Lawton

Por Marcos Franke

RockNLouder – Too Late To Hate é um álbum muito mais calcado no AOR/Hard Rock. O que fez com que Lucifer’s Friend parasse de compôr músicas mais elaboradas como antigamente, com influências do jazz ou do rock progressivo?

John Lawton – É só a forma como as músicas foram escritas. Peter Hesselein é o compositor neste álbum e eu contribuí com as letras e algumas melodias. Eu acho que queríamos gravar um álbum como Mean Machine (1981), que foi muito diferente de nossos álbuns anteriores.

RL – Eu consigo ouvir algo daquela época em músicas como ‘Straight For The Heart’ e a meio bluseira ‘Tell Me Why’, mas sem muito daquele rodeio musical de antigamente. Este é um novo momento para a música do Lucifer’s Friend? Como você explicaria este seu momento com a banda hoje?

JL – Como disse, Peter apresentou estas músicas para mim primeiramente para que eu pudesse dar minhas sugestões e depois ao restante dos músicos. Eu achei o material que Peter compôs incrível e aceitei usar o nome Lucifer´s Friend para elas. Eu imaginei que com uma boa produção poderíamos anunciar um novo álbum de estúdio após tantos anos.

RL – Seus vocais continuam incríveis mesmo com a sua idade. Como você consegue acompanhar a banda e manter este incrível desempenho?

JL – Muito Obrigado! Eu não mudei muito na minha rotina na verdade. Eu acho que sou sortudo que eu não preciso de muito ensaio. Quando eu tenho muitos meses sem ensaio ou gravações, eu vou ao meu jardim com o meu violão e faço um pouco de aquecimento.

RL – Você ainda é desafiado como músico em sua idade, compondo músicas que requerem muito de seus vocais? Quais músicas em Too Late To Hate mais precisaram de sua atenção?

JL – Sim! A gente tenta manter as notas num alcance confortável para os meus vocais. Eu não tive problemas com Too Late To Hate, pois as notas já estavam no meu alcance vocal.

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RL – Uma de minhas músicas preferidas do álbum é ‘Don’t Talk To Strangers’, já que possui muitas das raízes do Lucifer’s Friend nela. Os estilos musicais mixados nela vão do jazz fusion ao bem executado estilo blues/rock e isto pode ser ouvido na faixa ‘This Time’ também. Como foi criar esta música? A interação entre Dieter Horns (baixo) e Stephan Eggert (bateria) deve ter sido muito importante também, certo?

JL – Eu amo estas duas músicas. Especialmente ‘Don’t Talk To Strangers’ e você tem razão sobre a interação de Dieter e Stephan. Foi muito importante e eles a executaram com maestria. ‘This Time’ foi uma faixa bluseira que Peter me apresentou um tempo atrás e voltamos a ela. A ouvimos mais uma vez e decidimos colocar ela no álbum!

RL – Estou curioso para saber se vocês moram próximos um do outro. Se não, como é a estratégia de ensaio?

JL – Não moramos infelizmente. Eu morei em Hamburgo até me juntar ao Uriah Heep, mas agora moro em Londres. Quando o assunto são ensaios, os caras normalmente passam alguns dias na sala de ensaios em Hamburgo e eu viajo para lá e nós sintonizamos tudo junto.

RL – Quando ouvi a música ‘Tears’ eu logo tive que pensar na banda Toto. Eles são uma banda que vocês ainda ouvem? Lembrou-me muito a música ‘Africa’, por causa da textura dos teclados que Jogi Wichmann usou e é claro, os tambores. Uma ótima música.

JL – Toto… que grande banda e eu acho que muitos músicos podem aprender muito com eles. Jogi é um ótimo tecladista e não tem muito que ele não saiba tocar. Lucifer’s Friend sempre foi muito abençoado com ótimos tecladistas.

RL – Pode-se ainda ouvir muita influência de Led Zeppelin em sua música, como na faixa ‘Sea of Promises’. Vocês ainda ouvem música dos anos 70? Que tipo de música você ouve hoje que influencia as composições do Lucifer’s Friend?

JL – Sim, eu ainda escuto á músicas daquele período, pelo menos você sabe que os músicos tocam realmente aqueles instrumentos todos. Eu sou um grande fã de Muse e Royal Blood e acho que eles passaram algo para mim sobre como eu vejo a música hoje em dia.

RL – Meu álbum favorito do Lucifer’s Friend ainda é Sumogrip/1994. Este álbum é um ponto bem confuso na discografia da banda. O que aconteceu naquela época, após o lançamento deste bom álbum?

JL – Eu tenho que dizer, não é o meu álbum favorito. Ele foi produzido com muito overlay para o meu gosto. Mas possui músicas muito boas. Havia alguns problemas internos na banda naquele tempo e Dieter Horns/Peter Hecht (teclados) decidiram não fazer parte deste álbum. Mas nós permanecemos amigos mesmo assim.

RL – É incrível ter você ao vivo no palco cantando com o Lucifer’s Friend. Como você se sente toda vez que você sobe no palco?

JL – Sim, é uma sensação incrível após tanto tempo estar no palco com eles. É diferente, claro, já que envelhecemos e não somos mais tão ágeis do que 30 anos atrás. Mas mesmo assim aproveitamos cada minuto no palco.

RL – Vocês também tem um álbum ao vivo gravado no Sweden Rock/2015. Como foi gravar este álbum? Muita emoção envolvida certo?

JL – Bem, foi nosso primeiro show após muito tempo e claro, estava muito nervoso. Não importa o quanto tempo você passa num estúdio ensaiando. Subir no palco em frente a um público grande é fantástico e você esquece algumas coisas que não foram muito bem ensaiadas. Mas foi incrível e o público foi muito legal para a gente.

RL – Você tem planos em vir ao Brasil para alguns shows para promover Too Late To Hate?

JL – Nós amaríamos ir ao Brasil e tocar para vocês. Eu sei que há muitos fãs aí e apresentar Too Late To Hate e algumas faixas de nossos álbuns anteriores ia ser muito legal! Houve conversas á respeito disto para o final deste ano, mas nada foi concretizado. Eu fui ao Brasil alguns anos atrás e toquei com alguns músicos brasileiros e achei que o país e as pessoas que encontrei foram muito bacanas.

RL – Muito obrigado por esta entrevista e eu espero que você tenha curtido fazer ela como eu curti ouvir sua música. Espero ver você no Brasil em breve!

JL – Marcos foi um grande prazer e espero poder encontrar você um dia. Se cuide.

 

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